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Estimulação cognitiva pode ajudar a retardar o declínio em pacientes com Alzheimer

Estimulação cognitiva pode ajudar a retardar o declínio em pacientes com Alzheimer

A demência, condição que afeta milhões de pessoas globalmente e cuja incidência deve aumentar nas próximas décadas, representa um desafio crescente para os sistemas de saúde. No Brasil, estima-se que aproximadamente 2,7 milhões de indivíduos com 60 anos ou mais convivam com a doença, número que pode atingir até 5,6 milhões até o ano de 2050, de acordo com projeções de especialistas e dados demográficos. Nesse contexto, estratégias de intervenção, como a estimulação cognitiva, vêm ganhando destaque por sua potencial capacidade de preservar funções cerebrais e manter a autonomia dos pacientes, incluindo aqueles diagnosticados com Alzheimer.

Embora fatores como idade avançada e predisposição genética não possam ser modificados, estudos indicam que parte do risco de desenvolver a doença está relacionada a condições que podem ser controladas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que até 45% dos casos de demência estejam associados a fatores modificáveis, como sedentarismo, tabagismo, hipertensão, diabetes, obesidade, consumo excessivo de álcool e isolamento social. Essas informações reforçam a importância de um estilo de vida saudável na prevenção e no retardamento do avanço da doença.

De acordo com a neuropsicóloga Martha Valeria Medina, da startup espanhola de neurorreabilitação NeuronUP, mesmo indivíduos que adotam hábitos saudáveis podem desenvolver Alzheimer, mas esses cuidados são relevantes para reduzir a probabilidade de declínio cognitivo. Ela destaca que a atenção à saúde cerebral deve começar antes do surgimento de sintomas e ser mantida ao longo de toda a vida, envolvendo práticas como atividade física regular, estímulo mental contínuo e fortalecimento dos vínculos sociais.

O Alzheimer é uma doença degenerativa que resulta na morte de células cerebrais e pode se manifestar décadas antes do aparecimento dos primeiros sinais clínicos. Por ser progressiva, o diagnóstico precoce é fundamental para retardar sua evolução, tornando imprescindível a procura por avaliação especializada ao notar quaisquer sintomas iniciais. Apesar de mais comum em pessoas acima de 70 anos, a doença também pode afetar jovens, levando ao diagnóstico de Alzheimer precoce, especialmente em indivíduos na faixa dos 30 anos.

Nos estágios iniciais, os principais sintomas incluem dificuldades de memória, como esquecer onde guardou objetos, o que comeu na última refeição, nomes de conhecidos ou até a estação do ano. Outros sinais comuns são desorientação, dificuldades para lembrar endereços ou trajetos familiares, problemas na tomada de decisões simples, perda de interesse por tarefas rotineiras, alterações comportamentais — como aumento de nervosismo ou agressividade — e repetições de ações ou palavras.

Pesquisas, como as conduzidas pela fundação Alzheimer’s Drugs Discovery Foundation (ADDF), apontam que fatores biológicos e genéticos, como a presença de proteínas danificadas (amiloide e tau), doenças vasculares, neuroinflamação, falhas na energia neural e variantes genéticas, podem contribuir para o desenvolvimento da doença.

O tratamento do Alzheimer atualmente envolve o uso de medicamentos para aliviar os sintomas, além de terapias complementares, como fisioterapia e estimulação cognitiva. Não há cura definitiva para a doença, que exige cuidados contínuos ao longo de toda a vida do paciente. A estimulação cognitiva consiste em atividades planejadas para manter e fortalecer diversas funções cerebrais, abrangendo não só a memória, frequentemente afetada na enfermidade, mas também atenção, linguagem, raciocínio, orientação espacial e funções executivas.

Segundo Martha Medina, essas atividades devem ser adaptadas às condições e ao estágio da doença, focando tanto nas funções que já começam a ser comprometidas quanto naquelas ainda preservadas. A prática regular dessas ações atua na ativação de redes cerebrais, ajudando a prolongar o funcionamento cognitivo e a manter a autonomia do indivíduo por mais tempo.

A estimulação cognitiva não é exclusiva para pessoas com diagnóstico confirmado; ela faz parte de um estilo de vida voltado à saúde mental, podendo ser incorporada desde a juventude. Contudo, a intervenção precoce é mais eficaz, pois oferece maior margem de atuação. Em fases iniciais da doença, a abordagem tende a ser mais efetiva, enquanto em estágios avançados, o foco passa a ser a comunicação, a conexão com o ambiente e o bem-estar geral.

Além das atividades estruturadas, ações cotidianas também desempenham papel importante na manutenção cognitiva. Conversar, cozinhar, ouvir música ou organizar fotografias envolvem habilidades como memória, atenção, linguagem e tomada de decisão. Martha Medina ressalta que a interação social é fundamental, contribuindo para o bem-estar emocional e estimulando funções cognitivas essenciais.

Apesar de seus benefícios, a estimulação cognitiva possui limites claros. Ela não impede a progressão do Alzheimer nem consegue recuperar funções já perdidas, mas trabalha para preservar o máximo possível das capacidades remanescentes, promovendo maior autonomia e qualidade de vida ao paciente.

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