O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) alcançou nesta semana o marco de um mês desde o início oficial de sua campanha à reeleição, marcado por uma série de obstáculos que afetaram seu desempenho nas pesquisas de intenção de voto, especialmente em comparação ao principal adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL). Nos últimos 31 dias, Lula enfrentou crises envolvendo seus familiares e aliados próximos, além de conflitos institucionais que agravaram a percepção pública e impactaram sua estratégia de campanha.
Desde o dia 16 de agosto, quando a campanha foi oficialmente lançada, Lula lidou com investigações e denúncias relacionadas ao seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e ao ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola. Ambos aparecem em investigações do Supremo Tribunal Federal (STF) que apontam suposto tráfico de influência, com suspeitas de que a lobista Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, teria comprado joias, oferecido presentes e custeado despesas de Marcola para ampliar seu acesso ao núcleo do governo Lula. Essas revelações levaram à saída de Marcola da campanha e ao reconhecimento, por parte do presidente, de que o episódio prejudicou a imagem do governo.
O caso também trouxe à tona uma crise no STF, agravada por uma decisão do ministro André Mendonça que determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. A medida foi posteriormente revogada pelo presidente do STF, ministro Edson Fachin, mas colocou o governo em uma posição delicada, obrigando Lula a adotar uma postura de defesa pública da transparência nas investigações relacionadas ao Caso Master. Essa disputa judicial gerou ruídos políticos, alimentando a percepção de instabilidade e imprevisibilidade na disputa presidencial, sobretudo ao ligar o conflito à figura do ministro Alexandre de Moraes, considerado alinhado ao governo e protagonista na troca de mensagens envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Paralelamente às dificuldades institucionais, Lula também reduziu sua presença em deslocamentos pelo país, enquanto Flávio Bolsonaro intensificou sua agenda de campanha. Segundo levantamento do portal Metrópoles, nos primeiros 31 dias de campanha, o senador realizou 17 deslocamentos, enquanto Lula fez 11. Além disso, Flávio concentrou a maior parte de suas viagens nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, regiões com grande peso eleitoral, realizando quatro visitas em São Paulo e seis no Rio de Janeiro, sendo que uma delas foi na capital fluminense. Em contrapartida, Lula realizou duas viagens a São Paulo, duas a Minas Gerais e uma ao Rio de Janeiro, estados que representam uma fatia significativa do eleitorado, especialmente São Paulo, que possui cerca de 34 milhões de eleitores, ou 21,48% do total nacional, além de Minas Gerais, com 16,4 milhões de eleitores, e o Rio de Janeiro, com 12,9 milhões.
Na região Nordeste, Lula manteve uma presença mais frequente, com quatro visitas a cidades como Natal, Salvador, Juazeiro do Norte e Teresina, consolidando sua estratégia de fortalecer a sua base na região. Flávio, por sua vez, realizou duas agendas em Alagoas, em Maceió e Arapiraca, mas ainda não visitou os outros oito estados do Nordeste, apesar de seu maior adversário ter intensificado sua presença na região. No Norte, Lula ainda não realizou visitas presenciais, enquanto Flávio esteve em Boa Vista (RR), em 10 de setembro, e em Belém (PA), no dia 14 de setembro.
Na agenda mais próxima, Lula participará de atos de campanha em diferentes regiões do país, incluindo o Distrito Federal, Minas Gerais, São Paulo e Santa Catarina, buscando ampliar sua presença e reforçar suas propostas de reeleição. Essas atividades ocorrem em um momento em que seu desempenho nas pesquisas ainda é impactado pelas crises recentes, enquanto sua estratégia de deslocamento e atuação regional demonstra uma tentativa de equilibrar a exposição nacional com as dificuldades institucionais enfrentadas.


