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Esclarecido o impacto do brain fog na menopausa e suas diferenças em relação à demência

Esclarecido o impacto do brain fog na menopausa e suas diferenças em relação à demência

O fenômeno conhecido como brain fog, ou névoa mental, é comum durante o climatério, fase de transição que antecede e acompanha a menopausa, e não deve ser confundido com quadros de demência ou Alzheimer. Essa condição se manifesta por esquecimentos, dificuldades de concentração, perda do fio do raciocínio e outros sinais cognitivos que, embora possam gerar preocupação, são temporários e relacionados às alterações hormonais típicas dessa fase da vida feminina.

Segundo a ginecologista e obstetra Marcelle Thimoti, de Brasília, estudos recentes revelam a extensão do impacto do brain fog. Em uma pesquisa envolvendo mais de 14 mil mulheres, esse sintoma foi o mais relatado, presente em 86% da amostra, superando até mesmo sintomas mais tradicionais do climatério, como ondas de calor e sudorese noturna. Essa prevalência reforça a importância de compreender o fenômeno como uma resposta fisiológica ao período de transição hormonal.

A principal causa do brain fog na menopausa está relacionada às oscilações e à redução nos níveis de estrogênio, hormônio que desempenha papel crucial na saúde cerebral. O estrogênio atua diretamente em áreas estratégicas do cérebro, como o hipocampo, responsável pela memória, e o córtex pré-frontal, que regula o foco, a tomada de decisões e outras funções cognitivas. Quando os níveis hormonais variam ou caem, o cérebro enfrenta uma espécie de crise energética temporária, uma vez que o estrogênio facilita o uso da glicose pelas células cerebrais, que é o combustível principal do órgão. Assim, a diminuição hormonal desacelera o processamento de informações e a recuperação de memórias, contribuindo para o quadro de névoa mental.

Além do impacto direto dos hormônios, outros sintomas típicos do climatério, como fogachos noturnos e insônia, agravando a qualidade do sono profundo, também influenciam na lentidão mental. A especialista em saúde da mulher, Luciana da Silva Lopes, do Rio de Janeiro, destaca que a interrupção do sono de qualidade prejudica a memória e a clareza mental, reforçando a relação entre os desconfortos físicos e cognitivos dessa fase.

Apesar das preocupações com a possibilidade de desenvolver quadros mais graves, como o Alzheimer precoce, especialistas afirmam que o brain fog é uma condição temporária, que não compromete a capacidade intelectual nem a independência da mulher. Marcelle Thimoti esclarece que a distinção entre o fenômeno e a demência é clara: o brain fog afeta principalmente mulheres entre 40 e 60 anos, apresenta flutuações ao longo do período de transição e tende a melhorar após a menopausa. Além disso, é perceptível pela própria mulher, ao passo que os sinais de demência costumam ser identificados inicialmente por terceiros.

O diagnóstico do brain fog é clínico, não dependendo de exames de imagem, e as abordagens terapêuticas variam conforme o histórico de cada paciente. A Terapia de Reposição Hormonal (TRH) mostra-se eficaz ao estabilizar a neuroquímica cerebral, reduzindo os sintomas em um período que geralmente varia de quatro a doze semanas. Para quem possui contraindicações ou prefere evitar hormônios, alternativas como homeopatia, fitoterapia, ayurveda, aromaterapia e ortomolecular podem ser utilizadas, sempre com doses ajustadas às necessidades individuais. Além disso, mudanças no estilo de vida, como a prática regular de exercícios aeróbicos, uma alimentação no padrão mediterrâneo e a higiene do sono, possuem respaldo científico para estimular a plasticidade cerebral e melhorar o funcionamento cognitivo.

Por fim, os especialistas alertam para os riscos da automedicação com estimulantes ou consumo excessivo de cafeína, práticas comuns que podem aumentar a ansiedade e piorar a insônia. A orientação geral para quem atravessa essa fase é de acolhimento e compreensão, uma vez que o cérebro passa por uma fase de remodelação, e a clareza mental tende a retornar após o término do período de transição hormonal.

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