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Flávio Bolsonaro mantém vantagem nas pesquisas, mas enfrenta desafios relacionados a investigações e alianças políticas

Flávio Bolsonaro mantém vantagem nas pesquisas, mas enfrenta desafios relacionados a investigações e alianças políticas

A um mês do início do primeiro turno das eleições presidenciais de 2023, o candidato do Partido Liberal (PL) à Presidência, deputado federal Flávio Bolsonaro, continua na vice-liderança nas intenções de voto, mantendo-se como principal adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo a mais recente pesquisa Datafolha, divulgada na quinta-feira, 3 de setembro, o senador aparece com 33% das preferências, cinco pontos percentuais atrás de Lula, que registra 38%. No cenário de eventual segundo turno, ambos os candidatos estão tecnicamente empatados, com Lula marcando 46% e Flávio, 44%, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

A campanha de Flávio Bolsonaro conta com as próximas semanas de propaganda eleitoral no rádio e na televisão, além de uma agenda de viagens pelo país, na tentativa de reduzir a diferença para Lula. No entanto, o cenário político também foi marcado por revelações envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, o que abriu uma nova linha de ataque por parte do bolsonarismo às vésperas do feriado de 7 de Setembro.

Essas revelações ocorrem em meio ao esforço de Flávio para administrar o desgaste causado por sua relação com Vorcaro, especialmente após a Polícia Federal abrir investigações sobre recursos destinados ao filme biográfico de Jair Bolsonaro, intitulado Dark Horse, cujo financiamento foi negociado pelo senador com o banqueiro. A investigação aponta para um suposto pagamento de aproximadamente R$ 61 milhões feitos por Vorcaro para financiar o projeto, intermediado pelo publicitário Thiago Miranda. Flávio afirma que não acompanhava a administração desses recursos e que o episódio, ocorrido em julho, é uma “página virada”, cobrando esclarecimentos apenas da produtora responsável, a Go Up Entertainment.

Na pesquisa do Datafolha, Lula lidera com 38%, enquanto Flávio Bolsonaro soma 33%. O terceiro colocado, o escritor e psicólogo Augusto Cury (Avante), aparece com 8%. No segundo turno, a disputa fica mais apertada, com Lula marcando 46% e Flávio, 44%, resultado dentro da margem de erro. Desde o início da campanha, a candidatura de Flávio enfrentou dúvidas internas, sobretudo após a escolha do próprio Bolsonaro para disputar o cargo presidencial, decisão que encontrou resistência de aliados do Centrão, que preferiam nomes como o do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Apesar de tentar ampliar alianças e conquistar eleitores fora do espectro bolsonarista, Flávio Bolsonaro chegou às eleições com um perfil mais isolado, mesmo após alguns momentos de crise, como o desentendimento público com Michelle Bolsonaro, ex-primeira-dama, e as revelações relacionadas ao financiamento do filme. Sua campanha aposta na maior exposição proporcionada pela propaganda eleitoral para ampliar seu alcance, com 4 minutos e 20 segundos de tempo de propaganda no bloco presidencial, contra 5 minutos e 31 segundos de Lula, além de inserções em rádio e televisão.

Durante a campanha, Flávio tem focado em temas como família, economia e segurança pública, buscando também se aproximar do eleitorado feminino, segmento onde enfrenta dificuldades. Apesar de atacar Lula, a estratégia não privilegia uma postura agressiva, procurando manter uma imagem mais moderada. Além disso, a equipe de campanha prepara conteúdos que abordam o custo de vida, endividamento familiar e dificuldades de empresários, além de explorar investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente, na tentativa de ampliar o desgaste do adversário.

A relação de Flávio Bolsonaro com o ex-presidente Jair Bolsonaro permanece presente na estratégia de campanha, tanto na propaganda quanto na mobilização de apoiadores. O senador iniciou sua campanha com um ato em Copacabana, no Rio de Janeiro, local tradicional de manifestações do ex-presidente, embora aliados reconheçam que ainda não conseguiu mobilizar o mesmo nível de apoio que Bolsonaro obteve em eleições anteriores.

O grande teste para Flávio ocorrerá na manifestação de 7 de setembro na Avenida Paulista, tradicional palco de manifestações políticas do ex-presidente. As mensagens envolvendo Moraes e Vorcaro, divulgadas pouco antes do ato, têm sido utilizadas na convocação, na tentativa de estimular a participação e reforçar críticas ao ministro do STF e ao governo Lula. Alexandre de Moraes é considerado uma figura central no combate ao bolsonarismo, tendo conduzido processos e investigações que atingiram Jair Bolsonaro e seus aliados, além de ter sido relator na condenação e prisão do ex-presidente por tentativa de golpe de Estado.

Após a divulgação de conversas entre Moraes e Vorcaro, as quais tiveram o sigilo do relatório da Polícia Federal retirado, Flávio Bolsonaro passou a reforçar publicamente a necessidade de investigação sobre o ministro e chegou a defender sua renúncia. A relação do senador com Vorcaro, que teria financiado o filme de Bolsonaro, permanece sob investigação, com suspeitas de pagamento de recursos públicos e privados, além de questionamentos sobre o uso de emendas parlamentares relacionadas ao projeto.

Flávio também planeja intensificar sua presença em viagens pelo Sudeste, região onde seu desempenho eleitoral tem ficado abaixo do esperado, em comparação com o desempenho de Bolsonaro em 2022. São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo concentram cerca de 42% do eleitorado brasileiro. Na agenda, estão visitas a São Carlos, ao lado do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e a Juiz de Fora, em Minas Gerais, onde participará de uma motociata em homenagem ao episódio de 2018, quando Bolsonaro foi vítima de uma facada. Além disso, o candidato planeja retornar ao Nordeste, com visitas programadas a Alagoas e Pernambuco, buscando ampliar sua base de apoio na região, que é tradicionalmente favorável ao PT, embora o coordenador da campanha reconheça que a vitória de Lula no Nordeste é provável, mas que esforços estão sendo feitos para diminuir a vantagem do adversário. No Norte, Flávio tem agenda prevista para Manaus, em 11 de setembro, e outras atividades na região antes do primeiro turno.

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