O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), encaminhou uma sugestão ao presidente da Corte, Edson Fachin, para que delegados da Polícia Federal (PF) sejam impedidos de exercer atividades em escritórios de ministros do tribunal. A informação foi confirmada pelo portal Metrópoles nesta quinta-feira, 3 de setembro. A proposta ocorre em um momento de crescente tensão interna no Supremo, agravada por episódios recentes envolvendo a atuação da Polícia Federal dentro do tribunal.
Atualmente, há pelo menos cinco delegados da PF atuando em gabinetes de ministros do STF. Dois deles trabalham no escritório do ministro André Mendonça, enquanto outros dois estão vinculados ao gabinete do ministro Alexandre de Moraes. Além disso, há um delegado que atua no gabinete do ministro Luiz Fux. Essas indicações geraram questionamentos e discussões sobre a influência de agentes da Polícia Federal na rotina do tribunal, especialmente em momentos de crise política e judicial.
A sugestão de Mendes vem em meio ao agravamento da crise envolvendo o ministro André Mendonça, relator do caso conhecido como “Master”. Mendonça determinou a retirada do sigilo de um relatório da Polícia Federal que continha diálogos entre o próprio ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso desde março deste ano. Vorcaro é investigado por participação em uma fraude financeira de grande escala, estimada em bilhões de reais. A divulgação desses diálogos ampliou o desgaste entre os ministros do STF e reacendeu debates sobre a atuação da Polícia Federal dentro da Corte, levantando questões sobre possíveis interferências ou influências indevidas.
A proposta de Gilmar Mendes visa estabelecer limites claros na presença de delegados da PF nos gabinetes dos ministros, buscando evitar que a atuação policial possa afetar a autonomia e a imparcialidade do tribunal. A sugestão será avaliada por Edson Fachin, que deverá discutir o assunto com os demais integrantes da Corte antes de tomar uma decisão definitiva. Ainda não há uma previsão de quando essa discussão será concluída ou se a proposta será adotada.
A medida, se implementada, representaria uma mudança significativa na relação entre a Polícia Federal e o STF, reforçando a separação entre as funções de investigação e julgamento. A controvérsia em torno do tema reflete o momento delicado pelo qual passa o tribunal, marcado por tensões internas e questionamentos sobre a independência judicial e o papel da Polícia Federal na fiscalização e investigação de casos de alta relevância política e jurídica.


