Correio Divinopolitano

Homens são presos suspeitos de furtar brincos de cadáver durante enchentes no Nepal

Homens são presos suspeitos de furtar brincos de cadáver durante enchentes no Nepal

Dois homens foram detidos sob suspeita de furtar brincos de ouro do corpo de uma mulher que morreu durante as enchentes que atingiram a região próxima à fronteira entre o Nepal e o Tibete. A prisão ocorreu após a circulação de um vídeo nas redes sociais que registrou a ação e chegou ao conhecimento das autoridades locais. Segundo informações do Departamento de Polícia do Nepal, as imagens mostram os suspeitos se aproximando do corpo de uma mulher arrastada pela força da correnteza do rio Narayani, e puxando o cadáver em direção à margem para retirar os brincos que estavam nas orelhas da vítima.

Os indivíduos identificados como Madan Gurung, de 25 anos, natural do distrito de Nawalparasi, e Umesh Chaudhary, de 38 anos, residente na região de Bharatpur, foram localizados e presos nas proximidades de uma rodoviária na cidade de Bharatpur, no distrito de Chitwan. Madan Gurung, que atualmente morava na casa do tio materno na região de Lila Chowk, em Bharatpur, foi encontrado na companhia de Umesh Chaudhary, que residia na área de Supari Tole, próxima ao Pokhara Bus Park. Durante as investigações, os policiais confirmaram que um dos brincos de ouro ainda permanecia no corpo da vítima, o que auxiliou na identificação dos suspeitos por meio das imagens captadas e divulgadas nas redes sociais. Ambos permanecem sob custódia na delegacia distrital, à disposição das autoridades para os procedimentos investigativos.

A polícia informou que a investigação continua em andamento para esclarecer todos os detalhes do caso e apurar possíveis responsabilidades adicionais dos envolvidos na ação criminosa. A ação dos suspeitos gerou indignação na comunidade local e reforça a necessidade de fiscalização e ações de proteção em situações de vulnerabilidade, especialmente em contextos de desastres naturais.

Contexto das enchentes e suas consequências no Nepal e Tibete

O fenômeno das enchentes no Nepal e no Tibete resultou em uma tragédia de proporções alarmantes. Até esta terça-feira, dia 1º de outubro de 2026, o número de mortos atingiu 1.003 pessoas, enquanto pelo menos 4.462 continuam desaparecidas. Os deslizamentos de terra, destruição de estradas e danos em infraestrutura dificultaram as operações de resgate, especialmente em áreas remotas e montanhosas, onde o acesso é limitado. Segundo a Autoridade Nacional de Redução e Gestão de Riscos de Desastres do Nepal, entre as vítimas estão 583 estrangeiros de mais de 30 nacionalidades diferentes. No Tibete, os números oficiais indicam 16 mortos e 546 desaparecidos, incluindo 261 estrangeiros de 23 países, conforme informações da imprensa estatal chinesa.

As equipes de socorro enfrentam condições extremamente adversas, com terrenos instáveis e obstáculos naturais que dificultam o avanço. Até o momento, mais de 11.814 pessoas foram resgatadas, enquanto na Índia, especialmente na região de Uttar Pradesh, foram recuperados 17 corpos em rios, embora esses óbitos ainda não tenham sido incluídos no balanço oficial de vítimas. As operações de resgate continuam com o uso de helicópteros e outras aeronaves para alcançar comunidades isoladas, onde estradas foram destruídas ou bloqueadas por deslizamentos.

Ajuda internacional e ações governamentais

Nesta terça-feira, a segunda remessa de ajuda humanitária enviada pela China chegou ao Nepal, levando suprimentos essenciais como purificadores de água, equipamentos para exames de DNA, drones e especialistas chineses que auxiliarão na identificação das vítimas. O governo nepaleses reforçou os pedidos por apoio internacional, enquanto o primeiro-ministro, Balendra Shah, destacou a gravidade do desastre, atribuindo-o às mudanças climáticas. Em declarações públicas, Shah afirmou que a avalanche que atingiu diversas regiões do Himalaia na última semana não foi um evento comum, mas uma consequência direta do aquecimento global.

O colapso de uma geleira na fronteira entre China e Nepal é apontado como uma das causas do desastre, embora ainda não haja confirmação definitiva sobre o evento. Cientistas alertam que o aumento das temperaturas globais tem acelerado o derretimento do gelo na maior cordilheira do planeta, elevando a frequência de tragédias semelhantes e reforçando a urgência de ações internacionais para mitigar os efeitos das mudanças climáticas na região.

Artigos Relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *