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Uso do Benzetacil deve ser restrito a indicações específicas, alertam especialistas

Uso do Benzetacil deve ser restrito a indicações específicas, alertam especialistas

O Benzetacil, antibiótico de longa história na medicina, ainda é amplamente utilizado, mas seu uso indiscriminado pode ser prejudicial. Lançado em 1951, o medicamento, cujo princípio ativo é a penicilina benzatina, foi uma inovação que salvou inúmeras vidas ao tratar infecções graves em uma época de recursos limitados. No entanto, especialistas ressaltam que o Benzetacil não é uma solução universal para todas as doenças, sendo eficaz apenas em quadros bacterianos específicos, como sífilis, erisipela, febre reumática e algumas amigdalites bacterianas. Para condições virais, como gripe, resfriado ou dengue, o medicamento não apresenta efeito algum, uma vez que esses vírus não respondem ao tratamento antibiótico.

A farmacêutica Pâmela Saavedra, integrante da equipe de coordenação técnica do Conselho Federal de Farmácia (CFF), explica que o uso excessivo e inadequado do Benzetacil tem contribuído para o aumento da resistência bacteriana. Ela destaca que, embora o antibiótico seja uma ferramenta importante, sua administração deve ser criteriosa, evitando sua prescrição em casos onde não há infecção bacteriana comprovada. Segundo a especialista, a maioria das dores de garganta, por exemplo, são de origem viral, e nesses casos o antibiótico não tem efeito algum, reforçando a necessidade de uma avaliação médica adequada antes do uso.

A prática de prescrever antibióticos de forma errônea, especialmente em unidades de pronto-socorro, é uma das principais causas do crescimento da resistência bacteriana. A infectologista Eliana Bicudo, do Hospital Santa Lúcia Norte, em Brasília, afirma que estudos indicam que aproximadamente 50% dos antibióticos prescritos nesses ambientes são desnecessários. Essa prescrição equivocada favorece a seleção de bactérias resistentes, dificultando tratamentos futuros e agravando quadros infecciosos, como algumas pneumonia e infecções bacterianas que antes respondiam bem à penicilina benzatina.

Para evitar problemas de resistência, os especialistas recomendam que o uso do Benzetacil seja restrito às situações em que há evidências claras de benefício, como em pacientes com dificuldades de engolir ou sintomas mais graves, incluindo febre alta ou vômitos. Além disso, o uso do antibiótico deve ser realizado por profissionais treinados, que devem administrar a injeção de forma adequada para minimizar o desconforto, que costuma ser intenso devido à alta viscosidade do medicamento. Segundo Pâmela Saavedra, a composição do Benzetacil, uma suspensão densa com microcristais, causa irritação nas fibras musculares ao ser injetada, o que gera dor imediata.

Para reduzir o desconforto durante a aplicação, recomenda-se que o procedimento seja feito com técnicas específicas, como relaxar a perna, evitar apoiar o peso do corpo no lado da injeção, aplicar compressas mornas no local e não massagear ou friccionar a região. A especialista destaca ainda a importância de que a aplicação seja realizada por profissionais treinados, que devem administrar o medicamento de forma lenta e contínua no músculo glúteo, o que ajuda a diminuir o desconforto e garantir a eficácia do procedimento.

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