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Mensagens indicam envolvimento de Moraes na organização de evento em Londres e reclamações sobre sua condução

Mensagens indicam envolvimento de Moraes na organização de evento em Londres e reclamações sobre sua condução

Mensagens obtidas pela Polícia Federal (PF) do celular de Daniel Vorcaro revelam que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, atuou de forma coordenada com o banqueiro Vorcaro na organização do II Fórum Jurídico Londres Brasil de Ideias, realizado no ano passado. As conversas indicam que Moraes teria manifestado insatisfação com a organização do evento, chegando a barrar convidados e a reclamar bastante sobre a condução do fórum.

De acordo com os registros, uma das mensagens, datada de 21 de julho de 2025, foi trocada entre Vorcaro e Ana Matos, que integrava a equipe de marketing do banqueiro. Nessa conversa, Vorcaro afirma que Moraes “reclamou MUITO do evento”, referindo-se ao fórum jurídico. Questionada por Ana Matos sobre o conteúdo das reclamações do ministro, Vorcaro responde que Moraes criticou a desorganização do evento e também a escolha de colocar Tarcísio em destaque na programação. Vorcaro ainda reforça que “podemos mudar tudo que ele quiser”, indicando uma disposição de ajustar a organização conforme as demandas de Moraes.

A conversa revela que Vorcaro e Ana Matos estavam envolvidos na elaboração do programa do evento, com Ana informando que passou o dia com Vivi Moraes — presumivelmente uma assessora ou colaboradora do ministro — e que ambos estavam ajustando detalhes finais, como a definição dos convidados e a estrutura de abertura e encerramento do fórum. Ana também destacou que Moraes e Vivi Moraes estavam interessados em divulgar os convidados do evento, além de mencionar que precisava consultar Vorcaro antes de fazer alterações, para evitar prejudicar interesses do Banco de Brasília (BRB).

Além disso, a troca de mensagens revela uma preocupação com o envolvimento do Grupo Voto na organização do evento, que acabou sendo cancelado. Ana Matos relata dificuldades enfrentadas pelo grupo em relação ao cancelamento ou postergação do fórum, ressaltando que o nome da representante Karin, do Grupo Voto, estaria sendo prejudicado, e que Moraes teria uma postura de mando, dizendo que “ele manda e desmanda”. A funcionária de Vorcaro também comenta que, apesar de a empresa dela assinar a organização, ela acredita que o grupo teria contribuído pouco até então, mas se dispõe a assumir a responsabilidade pelo andamento do processo.

Essas mensagens reforçam a hipótese de uma atuação conjunta entre Moraes e Vorcaro na coordenação do evento, além de indicar uma insatisfação do ministro com a organização, que teria sido motivo de reclamações e ajustes durante os preparativos. O episódio levanta questões sobre o grau de envolvimento do ministro na condução do fórum e sobre possíveis influências externas na sua atuação em eventos de relevância internacional. As investigações continuam para esclarecer o alcance dessas ações e as possíveis implicações institucionais decorrentes dessas conversas.

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