Uma pesquisa conduzida pela UCLA Health, nos Estados Unidos, sugere que a terapia hormonal com estriol pode contribuir para a redução de sintomas cognitivos associados à menopausa, como a sensação de “névoa mental”, lapsos de memória, dificuldades de concentração e raciocínio mais lento. O estudo, publicado na revista Scientific Reports nesta terça-feira, dia 1º de setembro, acompanhou 20 mulheres na menopausa, com idade média de 53 anos, durante um período de 12 meses, no qual receberam um tratamento personalizado com estriol e progesterona. As participantes passaram por avaliações cognitivas antes e após o tratamento, relatando melhorias significativas em diversos aspectos relacionados à função cerebral.
Após o período de intervenção, as mulheres relataram uma diminuição na sensação de “névoa mental” e apresentaram ganhos na concentração, memória de trabalho, velocidade de processamento, memória verbal e capacidade de resolução de problemas. Segundo a neurologista Rhonda Voskuhl, autora sênior do estudo, o estrogênio desempenha um papel bem documentado na proteção do cérebro, embora ainda não existam tratamentos aprovados que visem especificamente os sintomas cognitivos durante a menopausa. Ela destacou que a pesquisa aponta para o potencial do estriol, uma forma natural de estrogênio produzida em maior quantidade durante a gravidez, como uma alternativa promissora.
O estriol difere do estradiol, mais comum em terapias hormonais, por se ligar principalmente a um tipo específico de receptor no cérebro, o que pode explicar seus efeitos benéficos na cognição. Pesquisas anteriores já indicavam que esse hormônio poderia ajudar na proteção das células cerebrais e na redução de alterações no hipocampo, uma área do cérebro relacionada à memória e ao aprendizado. Para aprofundar o entendimento do mecanismo de ação, os pesquisadores também realizaram testes em fêmeas de camundongo de meia-idade, observando que o tratamento reduziu sinais de alterações cerebrais e melhorou o desempenho em testes de memória nesses animais.
Entretanto, os autores do estudo ressaltam que os resultados devem ser interpretados com cautela, uma vez que a pesquisa possui limitações, como o tamanho reduzido da amostra, ausência de grupo de comparação e o fato de não ter sido um estudo randomizado. Dessa forma, os pesquisadores alertam que ensaios clínicos maiores, incluindo grupos de placebo e avaliações por exames de imagem, são necessários para confirmar a eficácia do estriol como uma estratégia terapêutica para os sintomas cognitivos na menopausa e sua possível incorporação na prática clínica.
A menopausa, marcada pelo declínio hormonal natural no organismo feminino, geralmente ocorre por volta dos 48 anos no Brasil, sendo que apenas metade das mulheres realiza algum tipo de tratamento hormonal. Além dos sintomas cognitivos, a fase traz outros impactos na saúde, como ondas de calor, que podem ocorrer inclusive durante o sono, e um aumento do risco de doenças cardiovasculares, que representam a principal causa de mortalidade feminina após a menopausa. O estudo reforça a importância de novas abordagens para o manejo desses sintomas, embora ressalte a necessidade de mais pesquisas para validar o uso do estriol nesse contexto.


