O PSD confirmou oficialmente a indicação de Ronaldo Caiado, ex-governador de Goiás, como candidato à Presidência da República pelo partido. O anúncio ocorreu neste domingo (26), durante convenção realizada em São Paulo. Em seu discurso de apresentação, Caiado destacou a segurança pública como prioridade de um eventual governo e dirigiu duro ataque às administrações do PT e de Lula, afirmando que “um eventual chefe do Executivo deve ter condições de libertar o país do sequestro do PT e das facções”.
O ex-governador associou a defesa de políticas mais rigorosas no combate à violência à linha de governo que pretende adotar. Entre as propostas, destacou o endurecimento das medidas contra a violência doméstica, prometendo, entre outros pontos, o confisco de bens de condenados por violência contra a mulher para indenizar as vítimas. “Vocês vão ter a mão pesada do Caiado para tratar desse assunto”, disse ele durante a convenção. Caiado também informou que pretende ampliar o uso de tornozeleiras eletrônicas e ampliar a prisão de agressores, rejeitando a ideia de que casos de violência doméstica devam permanecer restritos ao ambiente familiar. “Vou meter tornozeleira, algema nesses covardes”, completou, elevando o tom de seu discurso.
Além disso, o ex-governador afirmou que adotará o mesmo rigor contra estupradores, pedófilos e corruptos, defendendo que esses crimes merecem tratamento mais severo como parte de uma política de endurecimento da segurança pública e do combate à criminalidade. Em uma linha de condução de marcos legais mais firmes, Caiado sinalizou que a segurança será a base de sua plataforma, indicando que esse eixo deverá atravessar diferentes áreas da agenda governamental.
Aliança e posse de indicação
Na convenção, o PSD também oficializou Gilberto Kassab como candidato a vice-presidente na chapa. Caiado se filiou ao PSD neste ano, deixando o União Brasil para disputar o Palácio do Planalto. A presença de Kassab na chapa reforça a condução estratégica do partido na construção de um arco de aliança para a corrida presidencial.
Presenças políticas e críticas a adversários
Entre os presentes na convenção estavam os governadores Eduardo Leite (Rio Grande do Sul), Ratinho Júnior (Paraná) e Daniel Vilela (Goiás). Em entrevista coletiva anterior ao discurso, Caiado afirmou que outros candidatos teriam armado “briga para desviar o foco” das questões centrais do país, fazendo referência a Lula (PT) e ao senador Flávio Bolsonaro (PL), com quem deverá concorrer diretamente ao Planalto. Em tom contundente, o ex-governador disse que “quem rouba com a mãe esquerda e quem rouba com a mão direita, é ladrão”.
Outra avaliação do senador goiano diz respeito à polarização política, que classificou como “o máximo da estupidez”, defendendo espaço para a chamada terceira via como alternativa ao atual embate entre PT e outras correntes. Caiado também afirmou que Lula tem promovido embates com os Estados Unidos para desviar a atenção dos problemas do país, mantendo a narrativa de que é necessário um candidato que não esteja envolvido em esquemas como rachadinhas ou escândalos com instituições financeiras, citando o Banco Master como exemplo de controvérsia a ser evitada.
Contexto eleitoral e avaliações públicas
Segundo dados citados na convenção, Ronaldo Caiado aparece numericamente à frente de Lula em um cenário de segundo turno, segundo a pesquisa Real Time Big Data divulgada recentemente. O levantamento aponta Caiado com 44% das intenções de voto, contra 43% de Lula, com margem de erro de dois pontos percentuais, o que mantém o registro de empate técnico, na prática, entre os dois concorrentes.
Trajetória e raízes familiares
Ronaldo Caiado, médico ortopedista de formação, possui uma trajetória já marcada pela atuação política em várias esferas: foi deputado federal, senador e governador de Goiás. Esta candidatura representa, pela segunda vez, sua tentativa de chegar à Presidência da República, ocorrida trinta anos após sua primeira incursão, em 1989. As raízes do político goiano estão ligadas a uma tradição histórica da política local, com ascendência em Anápolis (GO). Caiado é neto de Antônio Ramos Caiado, oligarca que atuou como deputado federal entre 1909 e 1921 e como senador entre 1921 e 1930.


