O atual governador do Amapá, Clécio Luís (União), é pré-candidato à reeleição nas eleições de 2026. Ex-vereador e prefeito de Macapá por dois mandatos, ele chegou ao Palácio do Setentrião após vencer a eleição estadual de 2022 no primeiro turno. Em janeiro de 2026, Clécio deixou o Solidariedade e ingressou no União Brasil, legenda comandada no estado pelo senador Davi Alcolumbre. Para a nova disputa, o governador confirmou a manutenção do atual vice-governador, Teles Júnior (PDT), na chapa.
Trajetória pública e formação profissional
Clécio Luís nasceu em Belém, no Pará, e é formado em Geografia pela Universidade Federal do Amapá (UFAP), com especialização em desenvolvimento sustentável e gestão ambiental. Sua trajetória profissional está fortemente ligada ao serviço público no Amapá: é professor da rede pública e, ainda jovem, assumiu a Secretaria de Estado da Educação aos 26 anos. Entre as funções exercidas, destacou-se a participação na criação do Banco do Povo e a presidência da Agência de Fomento do Amapá (Afap), órgãos voltados ao fomento econômico estadual.
Início e trajetória na política municipal
A primeira incursão eleitoral de Clécio ocorreu em 2004, quando foi eleito para a Câmara Municipal de Macapá. Em 2008, foi reeleito vereador, atividade que manteve até a entrada na política estadual. No Legislativo municipal, atuou em áreas como educação, cultura, preservação do patrimônio histórico e desenvolvimento urbano. Entre os projetos de destaque está o Estatuto do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural de Macapá, marco de gestão voltada à proteção do patrimônio histórico da capital.
Caminho partidário e mandatos no Executivo
Inicialmente vinculado ao Partido dos Trabalhadores (PT), Clécio deixou a sigla e participou da fundação do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). Antes de chegar à prefeitura, candidatou-se ao Governo do Amapá em 2006, mas não foi eleito. Em 2012, concorreu novamente à Prefeitura de Macapá pelo PSOL. Terminou o primeiro turno em segundo lugar, avançou ao segundo turno e derrotou o então prefeito Roberto Góes (PDT). A vitória trouxe repercussão nacional, já que Macapá passou a ser a primeira capital administrada pelo PSOL.
Durante o primeiro mandato, Clécio deixou o PSOL e ingressou na Rede Sustentabilidade. Em 2016, disputou a reeleição pela aliança de partidos de campos distintos, avançou ao segundo turno e venceu o ex-senador Gilvam Borges (MDB). Ao concluir dois mandatos consecutivos como prefeito, deixou o cargo sem disputar outro na eleição seguinte. Posteriormente, filiou-se ao Solidariedade, movendo-se para articular a candidatura ao governo estadual.
Eleição estadual de 2022 e composição da chapa
Clécio concorreu ao governo pela primeira vez em 2022 pelo Solidariedade. A candidatura reuniu uma ampla aliança com partidos como União Brasil, PDT, Republicanos, Progressistas, PL e a federação PSDB-Cidadania. A aliança contou ainda com apoios de lideranças ligadas ao PT, mesmo tendo alinhamentos conflitantes na disputa presidencial à época. Teles Júnior (PDT) foi escolhido como vice na chapa. Clécio venceu a eleição estadual no primeiro turno, consolidando-se no poder estadual.
Gestão e prioridades no governo do Amapá
Segundo o próprio governador, as prioridades de Clécio Luís na administração estadual incluem saúde, educação, infraestrutura, segurança pública e desenvolvimento econômico. Ele afirma que o governo ampliou a rede hospitalar, retomou obras paralisadas e investiu em novos equipamentos. Entre os projetos destacados estão a construção e a reforma de hospitais, a criação de leitos especializados, a ampliação do transporte aeromédico e a implantação de um serviço estadual de telemedicina. Os dados refletiriam o balanço apresentado pelo governo.
No âmbito educacional, o governo tem investido na recuperação e na construção de escolas, incluindo unidades indígenas, bem como na implementação de internet e de equipamentos tecnológicos na rede estadual. A narrativa oficial enfatiza que as ações visam à recuperação da aprendizagem após os impactos da pandemia de COVID-19.
Na esfera econômica, Clécio defende incentivos a setores como indústria, bioeconomia, mineração e produção agrícola. O governador aponta ainda a possibilidade de exploração de petróleo na costa do Amapá como vetor de investimentos e geração de empregos. A perspectiva, segundo ele, exige preparação da mão de obra local para atuar na cadeia de petróleo e gás, o que incluiria programas de qualificação profissional e parcerias com universidades e institutos de ensino. Além disso, cita que novos incentivos fiscais favoreceram a instalação de empresas e a expansão dos empregos formais no estado.
Perspectivas para 2026
A pré-candidatura de Clécio Luís à reeleição, aliada à permanência de Teles Júnior na vice, passa a compor o eixo central da agenda eleitoral do governo do Amapá para o próximo ciclo. A mudança do partido, do Solidariedade para o União Brasil, é apresentada como parte de uma reconfiguração política voltada a fortalecer a base de sustentação do governo no Congresso Nacional e, segundo a leitura da equipe, a ampliar caminhos para a implantação de programas prioritários no estado. O conjunto das ações descritas, segundo o próprio governador, busca manter o estado em trajetória de desenvolvimento, com foco na melhoria de serviços básicos, infraestrutura e geração de empregos, ao tempo em que se busca ampliar a qualificação da força de trabalho local para atividades relacionadas aos setores estratégicos citados.


