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Lula aposta em alianças: PT será cabeça de chapa em 12 estados e no Distrito Federal

Lula aposta em alianças: PT será cabeça de chapa em 12 estados e no Distrito Federal

O Partido dos Trabalhadores (PT) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva definiram nesta etapa do calendário eleitoral uma estratégia de palanques que privilegia alianças com nomes competitivos em estados onde a legenda não planeja lançar um candidato próprio a governador. Apesar de Lula já ter assegurado palanque presidencial em todas as unidades da Federação, o PT ficará com a prerrogativa de apresentar candidatos a governador em apenas 12 estados e no Distrito Federal. Nos demais estados, o partido optou por compor com siglas amigas ou com forças políticas distintas, buscando consolidar o apoio a Lula para o Planalto e manter espaços de influência no Congresso.

No plano nacional, Lula mantém a chapa presidencial consolidada em todo o país, enquanto o PT negocia caminhos para palanques regionais com aliados. Em cinco estados, a legenda optou por apoiar o PSD, partido do pré-candidato à presidência Ronaldo Caiado, nas disputas estaduais de Mato Grosso, Sergipe, Amazonas, Tocantins e Rio de Janeiro. Em Alagoas e Pará, o PT vai apoiar o MDB, que deixou aos diretórios estaduais a decisão sobre qual candidato a governador apoiar. Na Paraíba, o partido de Lula sinaliza apoio ao candidato do PP, e no Amapá, à União Brasil. Esses dois últimos compõem a Federação União Progressista, que, segundo a sigla, decidiu manter posição neutra na disputa presidencial deste ano.

Em abril, Lula já havia destacado a importância de compor com forças fora do campo estritamente progressista para ampliar o campo de governabilidade. Segundo o ex-presidente, “não se faz composição apenas com quem você gosta; é preciso dialogar com quem pensa diferente, mas que é capaz de construir um projeto mínimo para o estado ou o país”.

No espectro da esquerda, o PT mantém acordo com o PDT em Rio Grande do Sul e Paraná, ao passo que seguirá com o PSB em Santa Catarina, Pernambuco e Acre. A decisão de reduzir o número de petistas candidatos a governador representa a continuidade de uma linha estratégica que se consolidou ao longo dos últimos pleitos, afastando a prática dos primeiros anos do PT, quando o partido lançava um grande número de candidaturas buscando ampliar a oposição aos Governos locais. O movimento contrasta com a virada pragmática de 2002, quando a sigla operou uma aliança mais ampla com forças diversas para manter a governabilidade nacional, uma tática repetida nas eleições seguintes.

Para 2026, a liderança petista orientou a preservação dos governos já conquistados e a reeleição de Lula, com metas de ampliar a bancada governista no Senado e na Câmara dos Deputados. Em um cenário com 54 cadeiras em disputa no Senado, o PT avalia que será essencial eleger entre 25 e 30 senadores alinhados ao governo para facilitar um eventual quarto mandato presidencial. O presidente do PT, Edinho Silva, descreveu o Senado como o “grande desafio” da eleição e enfatizou a necessidade de maioria para contrabalançar correntes que possam representar, segundo ele, riscos à democracia. Ele informou que Lula solicitou aos ministros do governo que disputassem vagas no Senado, recebendo adesões de nove deles, entre eles Marina Silva (PSOL), Simone Tebet (PSB) e Gleisi Hoffmann (PT).

Entre as peculiaridades do alinhamento, destaca-se que Renan Filho (MDB), ex-ministro dos Transportes, será o único integrante do alto escalão do governo Lula a concorrer a governador, buscando o comando de Alagoas. No plano estadual, o PT pretende manter o domínio em quatro estados que venceram as eleições de 2022 — Bahia, Ceará, Rio Grande do Norte e Piauí — com as seguintes certidões: Jerônimo Rodrigues (PT) concorrerá à reeleição na Bahia; Elmano de Freitas (PT) disputará a reeleição no Ceará; Rafael Fonteles (PT) também buscará a reeleição no Piauí; no Rio Grande do Norte, a governadora Fátima Bezerra aparece como uma figura-chave para a continuidade da atuação do PT no estado, ainda que o texto não comprove a sua candidatura no pleito estadual.

Em termos de cenários eleitorais, a expectativa do PT é manter o controle dos quatro estados de eleição em 2022, ampliar a presença de quadros governistas na Câmara e no Senado e, assim, reforçar a governabilidade de Lula no eventual segundo mandato. No conjunto, a estratégia para 2026 reduz a presença de candidatos próprios a governador em diversas unidades da Federação, priorizando alianças com balizas fortes em estados estratégicos e abrindo espaço para aliados visando manter posições de poder em nível regional e nacional.

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