A pré-candidata ao Senado pelo PSB, Simone Tebet, abriu fogo, neste sábado (25/7), contra o que ela classificou como o comportamento de “golpistas de plantão” no cenário político, em tom crítico indireto ao candidatura do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro. O alerta foi feito durante a convenção do PT realizada em Campinas (SP), na Arena Concórdia, em que Tebet não citou o nome do adversário nominalmente, mas apontou o que enquadrou como dois perfis distintos no espectro político: de um lado, um democrata; de outro, “um golpista de plantão”. Em seu relato, a ex-ministra do Planejamento enfatizou a expressão “tal pai, tal filho”, enfatizando a percepção de continuidade de atitudes associadas ao clã Bolsonaro e repercutiu como uma crítica direta ao que, para ela, seria o começo de questionamentos à segurança das urnas.
“Não podemos nos enganar. 2022 não passou. Estamos no ano de 2026 enfrentando os mesmos desafios do passado. O presidente Lula, Geraldo Alckmin e o Brasil enfrentam, do lado de lá, não um democrata, mas um golpista de plantão. Tal pai, tal filho. Já começou questionando a segurança das urnas. Já sabe, já sente o cheiro da derrota em outubro. E já quer colocar em dúvida os resultados das urnas”, afirmou Tebet durante a convenção.
Para contextualizar o momento, Tebet relembrou episódios recentes envolvendo o adversário, destacando que, na última terça-feira (21/7), Flávio Bolsonaro havia questionado a confiabilidade das urnas eletrônicas durante uma reunião com diplomatas. Segundo a ex-ministra, Bolsonaro teria utilizado informações já desmentidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e pedido aos diplomatas que enviassem “o máximo de observadores” para as eleições brasileiras. A leitura de Tebet é de que tais ações sinalizam uma linha de ataque às instituições e à lisura do pleito, movimentos que, na visão dela, demandam resposta firme por parte da sociedade e dos líderes partidários.
Durante a convenção, Tebet também direcionou um apelo específico ao eleitorado feminino. Ela pediu às mulheres que votem em Lula para a presidência e em Haddad para o governo de São Paulo, citando explicitamente o papel das mulheres no processo eleitoral. “Nós, mulheres, vamos em outubro dizer a eles que não, que nós mulheres sabemos votar. Vamos votar em Lula para presidente e em Haddad para governador do estado”, declarou a ex-ministra, reforçando a ideia de que o voto feminino pode ter peso significativo no resultado estadual e federal.
A crítica de Tebet não se limitou ao alto tom de alerta sobre o pleito e a confiança nas instituições. Ela também apontou a necessidade de captar votos entre eleitores indecisos, reconhecendo a importância de uma frente ampla que inclua diferentes espectros do espectro político. “Precisamos mudar votos dos indecisos, dos independentes. Vamos conversar com quem não pensa como a gente. Não vamos perder tempo com a extrema-direita, essa não vem para nós. Mas vamos dialogar com a direita democrática, com a direita conservadora, com o centro. Vamos conversar com aqueles que não querem ir para as urnas e falam que vão se abster. Não tem eleição ganha e nem perdida”, afirmou, segundo a síntese de seus posicionamentos feitos na ocasião.
O encontro contou com a presença de figuras de destaque da política nacional. Além de Tebet, estiveram no palanque o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o pré-candidato ao governo de São Paulo pelo PT, Fernando Haddad. Também participou Marina Silva, pré-candidata ao Senado pela Rede, ampliando o leque de alianças e a intenção de mobilizar diferentes setores do eleitorado em torno de pautas de centro e de defesa das instituições eleitorais.
Ao apresentar seu posicionamento, Tebet manteve o foco em defender o que, para ela, é a integridade do processo democrático brasileiro e a necessidade de construção de consensos que transcendam fronteiras partidárias. A fala, marcada por críticas veladas a adversários e por convites explícitos à participação cívica, reforça o tom de acirramento político que permeia o cenário eleitoral de 2026, em meio a disputas entre tendências democráticas, conservadoras e de centro. A convenção do PT em Campinas funcionou como palco para esse conjunto de mensagens, conectando a expectativa de vitória de Lula e Haddad com a atuação de Tebet e de outras lideranças da oposição que, sob o guarda-chuva da coalizão, buscam consolidar apoios entre eleitores ainda indecisos.


