As convenções partidárias do PT e do PL realizadas neste sábado, 25 de julho, em São Paulo, marcaram o lançamento das candidaturas de Fernando Haddad, pelo PT, ao governo do Estado de São Paulo, e de Flávio Bolsonaro, do PL, à Presidência da República. No entanto, a presença de Luiz Inácio Lula da Silva e de Jair Bolsonaro dominou os palcos e as narrativas dos eventos, ofuscando, em diferentes níveis, os candidatos que estavam na linha de frente da campanha.
No ato do PT, o público presente entoou o tradicional grito de apoio “Olê, olá, Lula”, enquanto, no evento do PL, apoiadores reagiram com o clamor “Volta, Bolsonaro”. Em ambos os encontros, Haddad e Flávio ficaram em segundo plano diante da força simbólica criada pelas figuras dos respectivos ex-presidentes. A dinâmica reflete uma tendência já esperada: Haddad e Flávio, apesar de serem candidatos oficiais, não movem o mesmo volume de apoio que Lula e Bolsonaro têm hoje junto a parcela expressiva do público e de dirigentes.
Entre as declarações da condução do PL, o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, chegou a mencionar que Flávio Bolsonaro atuaria como candidato em nome do pai. Durante o ato, ele afirmou: “O Flávio foi o escolhido pelo seu pai para dar continuidade ao projeto que ele já provou que dá certo. Você é candidato em nome do seu pai.” A fala reforça a estratégia de capitalizar o legado político de Bolsonaro, ao mesmo tempo em que apresenta Flávio como continuidade de um projeto de governo defendido pela família.
Além das falas, o simbolismo visual também evidenciou a primazia ao líder. Os presentes no evento do PL carregaram faixas e vestiam camisas com o rosto de Jair Bolsonaro, em detrimento da imagem de Flávio, sinalizando, de forma clara, o peso do apoio presidencial na percepção do público. No evento do PT, a mesma lógica se repetiu de forma inversa: apoiadores usaram roupas e seguraram cartazes com o rosto de Lula, realçando a figura do ex-presidente mesmo ao apresentar Haddad como cabeça de chapa para o governo estadual.
Dispositivos de campanha: foco em lideranças versus candidaturas locais
Em termos de foco programático, as convenções mostraram diferenças. No PL, a linha discursiva privilegiou a ressonância do governo conduzido por Bolsonaro, enfatizando o legado do ex-presidente. Já o PT procurou resgatar o que Haddad realizou enquanto ministro da Fazenda e, posteriormente, da Educação, cargos ocupados durante o governo Lula. O material apresentado pela sigla petista procurou traçar um retrato de continuidade de políticas econômicas, inclusive ao mencionar a gestão de Haddad à frente da equipe econômica e dados sobre indicadores econômicos, como desemprego, inflação e dívida pública.
Um ponto de destaque no discurso petista foi a referência à aprovação de uma “reforma da renda” que implica a isenção do Imposto de Renda para trabalhadores que ganham até R$ 5 mil, atribuindo a Haddad a condução dessa política como parte da narrativa de campanha. A menção busca associar Haddad a resultados positivos de gestão econômica, fortalecendo a linha de comparação com o governo anterior, segundo o qual o PT busca traduzir números em ganhos perceptíveis para a população.
Quanto à composição dos atos, o PL contou com a participação de congressistas, apoiadores e membros do partido, além de uma presença internacional expressiva, com o presidente da Argentina, Javier Milei, entre os presentes. Já o PT convidou parlamentares de esquerda e ex-ministros mencionados como parte do apoio ao projeto de Haddad. Entre eles, figuras como Simone Tebet e Marina Silva foram citadas como participantes que devem concorrer ao Senado Federal pelo Estado de São Paulo, segundo indicações do conteúdo da cobertura.
Portanto, as convenções em São Paulo revelam o desencontro entre o protagonismo dos candidatos e o peso simbólico das lideranças nacionais. Enquanto Haddad e Flávio Bolsonaro aparecem como figuras centrais de cada legenda, Lula e Bolsonaro exercem influência decisiva sobre o clima e o tom dos eventos, moldando percepções sobre o ritmo das campanhas e a esperança de mobilização de base. A leitura estratégica para cada partido aponta, portanto, para uma aliança entre legado de governo e promessa de continuidade, ainda que o desafio permaneça para transformar o entusiasmo de apoiadores em votos efetivos nas urnas.


