O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT-SP), direcionou críticas à gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) durante a convenção estadual do partido neste sábado, 25/7. Em discurso, Haddad ressaltou a decisão de conceder a Medalha da Ordem do Ipiranga ao presidente da Argentina, Javier Milei, descrevendo-a como a maior honraria do governo paulista e questionando o alinhamento entre esse gesto e as prioridades de um governo voltado a temas nacionais.
“Olha o que estamos disputando? Disputando o que com Tarcísio? Dar uma medalha para o Milei? Que tem 30% de aprovação e está dando carne de burro para a população da Argentina comer?”, pronunciou Haddad, em tom irônico, ao comentar a decisão de agraciar Milei com a condecoração máxima do governo estadual. A fala foi parte do discurso do ex-ministro, que também utilizou o momento para apontar críticas à condução estadual em áreas que, segundo ele, eram de responsabilidade do governo.
Além da crítica à honraria, Haddad também frisou que a gestão de Tarcísio de Freitas, em áreas consideradas basilares para a vida cotidiana da população, como educação e segurança pública, apresentaria falhas segundo a leitura do ex-ministro. A declaração do petista reforça o tom de oposição que marca a disputa política no estado, com o PT buscando consolidar sua pauta e apresentar um contraste em relação às políticas em implementação pelo atual governo.
A Medalha da Ordem do Ipiranga, descrita pela administração como a maior honraria concedida pelo governo de São Paulo, envolve uma simbologia forte para o palanque governista e para a própria imagem institucional do estado. A decisão de conceder o título ao líder argentino Milei provocou reações entre opositores e apoiadores, que observam o gesto no contexto de um sempre delicado equilíbrio entre honrarias protocolares e demandas sociais. Milei, figura de expressão contundente na política argentina, é lembrado por Haddad na comparação com a realidade econômica e social do país vizinho, ao lado de uma provocação explícita sobre o que, na visão do ex-ministro, estaria em jogo na relação entre símbolos de prestígio político e a prática de políticas públicas.
O evento de convenção estadual do PT, com a participação de Haddad, ocorreu em um momento de acentuado embate político entre o governador em exercício e a oposição, que utiliza o formato de discursos partidários para expor críticas e projeções para as eleições em São Paulo. O tom do pronunciamento de Haddad, centrado na cobrança de prioridades públicas e na análise de gestos simbólicos de governo, aparece como uma das linhas centrais da estratégia do PT para o pleito estadual. A fala, centrada na alegação de que determinadas decisões simbólicas devem acompanhar políticas públicas consistentes, reforça o eixo de oposição em torno de questões essenciais como educação e segurança, áreas citadas explicitamente pelo ex-ministro em sua intervenção na convenção.


