O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, expressou a interlocutores sua convicção de que a Corte possui a maioria necessária para aplicar sanções ao instituto de pesquisa AtlasIntel. A análise se refere a uma pesquisa divulgada em junho, que apresentou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com uma vantagem significativa em simulações de segundo turno contra Flávio Bolsonaro.
Em uma decisão liminar proferida em junho, Nunes Marques determinou a suspensão da divulgação da pesquisa do AtlasIntel. O pedido para tal medida foi apresentado pelo Partido Liberal (PL), que alegou que as perguntas formuladas na pesquisa estavam direcionadas e poderiam induzir os eleitores a uma interpretação favorável ao candidato Lula. Essa alegação se intensificou após a divulgação de um áudio entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, que gerou polêmica em torno da condução do levantamento. Para Nunes Marques, existem indícios de que o questionário poderia ter influenciado a decisão dos eleitores.
Atualmente, a ação encontra-se em discussão no plenário do TSE. Composto por sete ministros, Kassio Nunes Marques acredita que conseguirá o apoio de dois ministros que têm experiência anterior no Judiciário: André Mendonça e Dias Toffoli, ambos provenientes do Supremo Tribunal Federal (STF), além de Villas Bôas Cueva, do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
No entanto, o cenário apresenta divisões. Os ministros Floriano Peixoto de Azevedo Marques e Estela Aranha, considerados “juristas” dentro do TSE, são vistos como contrários à punição ao AtlasIntel. A situação do voto de Antonio Carlos Ferreira, também oriundo do STJ, permanece incerta, o que pode impactar o resultado final.
A expectativa é que o julgamento seja retomado em agosto, quando se aguarda que Estela Aranha devolva os autos ao plenário, após ter solicitado vista do processo. De acordo com informações, ela já teria manifestado interesse em prosseguir com a análise junto a Kassio Nunes Marques.
Se a previsão de Nunes Marques se concretizar, ele poderá celebrar uma vitória significativa em relação ao caso, especialmente após a controvérsia que surgiu com sua decisão de suspender a pesquisa em resposta às críticas levantadas pelo PL. A situação é ainda mais complexa, uma vez que, conforme noticiado pela CNN, Nunes Marques enfrentou dificuldades em sua tentativa de implementar um selo de qualidade para institutos de pesquisa, o que poderia garantir maior rigor na condução desses levantamentos.
O Instituto AtlasIntel, por sua vez, refutou as alegações de irregularidades na pesquisa questionada pelo PL. Em nota divulgada em junho, a instituição expressou confiança na integridade do TSE, afirmando que a robustez técnica e a legalidade do estudo seriam reconhecidas pelo colegiado.
Diante desse cenário, a situação envolvendo o TSE e o instituto de pesquisa AtlasIntel continua a gerar debates e expectativas, refletindo as tensões políticas e eleitorais que permeiam o ambiente atual.


