A produtora GoUp Entertainment Brasil emitiu uma nota nesta quinta-feira (23 de julho) afirmando que a investigação da Polícia Federal (PF) sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, que narra a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, irá comprovar a legalidade da origem e da destinação dos recursos utilizados na produção. A declaração surge após a autorização do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), para a abertura do inquérito, que foi solicitado pela PF e recebeu parecer favorável do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
A GoUp Entertainment afirmou que recebeu a decisão do STF com “serenidade”, destacando que a medida apenas permite um aprofundamento das investigações, sem implicar conclusões sobre a existência de irregularidades. A produtora ressaltou que, antes da abertura do inquérito, já havia apresentado de forma espontânea às autoridades uma prestação de contas completa referente à produção do filme. Essa documentação foi protocolada em 11 de junho, no âmbito de uma investigação conduzida pela Polícia Civil de São Paulo.
Além disso, a empresa informou que um laudo técnico confirmou que os recursos utilizados na produção do filme têm origem privada, sendo documentalmente identificáveis e plenamente rastreáveis. A nota da GoUp também enfatizou que não foram utilizados recursos públicos ou incentivos fiscais para o financiamento do projeto.
Embora a produtora tenha mencionado que as informações sobre os investidores estão protegidas por cláusulas de confidencialidade e sigilos bancário e fiscal, ela se comprometeu a apresentar os dados dos financiadores às autoridades competentes quando solicitado legalmente. O inquérito da PF investiga repasses que totalizam cerca de R$ 61 milhões, feitos pelo empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, para o financiamento do longa-metragem.
Os investigadores buscam esclarecer se os recursos enviados por Vorcaro foram utilizados para fins distintos da produção do filme. Mensagens e áudios obtidos durante a investigação revelam que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) solicitou ao banqueiro recursos para viabilizar o projeto. De acordo com a PF, os valores teriam sido transferidos da empresa Entre Investimentos e Participações, associada a Vorcaro, para um fundo sediado no Texas, que tem vínculos com pessoas próximas ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro.
Em maio, após a divulgação das conversas entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro, o senador reconheceu que o banqueiro financiou parte da produção do filme, mas afirmou que a relação entre eles se limitava ao projeto audiovisual. Na mesma ocasião, Flávio anunciou que a produtora divulgaria a prestação de contas da obra e declarou que, caso o filme gerasse lucro, o montante correspondente ao aporte de Vorcaro ficaria separado e à disposição das autoridades.
A defesa da GoUp Entertainment sustenta que toda a movimentação financeira é regular e que poderá ser comprovada ao longo da investigação. A empresa reiterou seu compromisso de colaborar integralmente com as autoridades e expressou confiança de que a investigação confirmará a regularidade da origem e da destinação dos recursos utilizados na produção de “Dark Horse”.


