O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (5/11) que o Brasil precisa manter as contas públicas sob controle e oferecer segurança aos investidores para conseguir atrair capital. A declaração ocorreu durante uma reunião do Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos, em um momento de aumento da pressão sobre o governo por medidas destinadas a melhorar a situação fiscal do país.
Segundo Lula, investidores avaliam a segurança jurídica, a organização da economia e a possibilidade de retorno financeiro antes de decidir pela aplicação de recursos. Para o presidente, os projetos precisam atender aos interesses de quem investe, mas também produzir resultados considerados positivos para o Brasil.
“Se a gente quiser atrair capital, temos que ter seriedade. Ninguém vai colocar dinheiro aqui por causa dos belos cabelos do Lula e do [Geraldo] Alckmin”, disse o presidente. A afirmação foi feita ao explicar que a decisão dos investidores está relacionada à confiança na execução dos projetos e à perspectiva de retorno sobre os valores aplicados.
Ao tratar das condições necessárias para ampliar os investimentos, Lula defendeu que o país combine responsabilidade fiscal com a continuidade de políticas sociais. O presidente também ressaltou que o Brasil precisa apresentar uma economia organizada para conquistar credibilidade e estabelecer parcerias.
A posição representa uma mudança de tom em relação a declarações feitas pelo petista em parte da campanha eleitoral e do mandato. Em ocasiões anteriores, Lula criticou o mercado financeiro em resposta às cobranças por medidas de ajuste das contas públicas. Na reunião desta quinta-feira, porém, destacou que a organização das finanças nacionais é necessária para viabilizar novos projetos e acordos.
“É por isso que temos que ter responsabilidade jurídica, é por isso que nós temos que ter responsabilidade fiscal, é por isso que a gente não pode brincar de fazer parcerias, de fazer o projeto que nós estamos fazendo”, afirmou. Na sequência, o presidente disse que uma economia vista como desorganizada não despertaria o interesse de investidores.
“Para a gente atrair, a gente vai ter que ter uma economia arrumada. Ninguém vai querer vir fazer investimento numa economia totalmente desordenada. As pessoas querem saber se nós estamos falando sério”, declarou Lula.
Ministros e economistas discutem alternativas para as contas públicas
Antes da reunião do conselho, o presidente se encontrou com ministros e economistas para avaliar alternativas destinadas a melhorar a situação fiscal brasileira. O encontro, conforme informou o titular da Fazenda, Dario Durigan, não teve como objetivo discutir medidas específicas.
De acordo com o ministro, a intenção foi ouvir avaliações técnicas antes da elaboração e da apresentação de propostas ao presidente. A reunião ocorreu em meio à cobrança por ações capazes de reforçar o equilíbrio das contas públicas e reduzir as incertezas em torno da política fiscal do governo.
A pressão aumentou depois do resultado do segundo turno das eleições presidenciais. Desde o último dia 25, a Bolsa de Valores acumulou uma perda superior a 30 mil pontos. No mesmo período, o dólar deixou o patamar inferior a R$ 5 e era negociado a R$ 5,49 na tarde desta quinta-feira.
Copom mantém Selic em 13,75%
Na quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu interromper o ciclo de redução da taxa básica de juros e manteve a Selic em 13,75%. No comunicado divulgado após a decisão, o colegiado indicou que acompanha a influência da política fiscal sobre a condução da política monetária e sobre o comportamento dos ativos financeiros.
O Copom afirmou que continuará monitorando os efeitos dos desdobramentos da política fiscal doméstica sobre as decisões relacionadas aos juros e sobre os mercados. “O Comitê segue acompanhando como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza”, informou o órgão.


