O dólar comercial terminou a sessão desta quinta-feira (5/11) cotado a R$ 5,48, com alta de 0,67%. No mercado acionário, o Ibovespa recuou 0,82% e encerrou o pregão aos 166.191,45 pontos. A piora do ambiente financeiro internacional, somada a fatores da economia brasileira, aumentou a cautela dos investidores e pressionou os ativos domésticos.
O movimento de alta da moeda norte-americana ocorreu em um dia marcado pela redução do apetite por risco no exterior. Em Nova York, investidores passaram a vender ações relacionadas a inteligência artificial (IA), semicondutores e data centers. Esses setores vinham sendo acompanhados pelo mercado, mas a intensificação das vendas elevou as preocupações sobre o desempenho das empresas ligadas à tecnologia e à infraestrutura digital.
Com a mudança no humor dos negócios, os investidores reduziram a exposição a ativos considerados mais arriscados. Mercados emergentes, como o brasileiro, foram afetados por esse reposicionamento. A procura por alternativas vistas como mais seguras ganhou força, contribuindo para a valorização do dólar diante do real e para a queda do principal índice da B3.
A sessão desta quinta-feira representou uma reversão em relação ao comportamento observado no dia anterior. Na quarta-feira (4/11), as bolsas dos Estados Unidos haviam reagido positivamente à vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato. Na avaliação dos investidores, o resultado poderia ampliar a fiscalização sobre o governo do presidente Donald Trump.
O cenário, porém, mudou com a piora nas negociações em Nova York. A venda de papéis de companhias ligadas à inteligência artificial, aos semicondutores e aos data centers afetou o sentimento global e diminuiu a disposição para investimentos em países emergentes. A combinação desses fatores externos esteve entre os principais elementos que influenciaram o desempenho do câmbio e da Bolsa brasileira.
Copom interrompe sequência de cortes na Selic
No ambiente doméstico, a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central também esteve no centro das atenções. O colegiado manteve a taxa básica de juros, a Selic, em 13,75% ao ano. A decisão interrompeu uma sequência de cinco reduções consecutivas da taxa.
Em seu comunicado, o Copom apontou que o cenário econômico passou a envolver um nível maior de incerteza. O comitê também destacou a desancoragem das expectativas de inflação, aspecto considerado na análise que levou à manutenção da Selic no atual patamar.
A taxa básica de juros é o principal instrumento do Banco Central para influenciar as condições financeiras da economia. Ao suspender os cortes, o Copom sinalizou uma postura mais cautelosa diante das incertezas e do afastamento das expectativas de inflação em relação às referências consideradas desejadas.
Contas públicas e atividade econômica entram no radar
As discussões sobre a situação fiscal brasileira completaram o conjunto de fatores acompanhados pelo mercado. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reuniu-se com ministros e economistas para tratar da agenda econômica do governo. O encontro ocorreu em meio à cobrança dos investidores por maior clareza sobre as medidas destinadas ao controle dos gastos públicos.
A percepção sobre a trajetória das contas públicas permaneceu relevante para a formação dos preços dos ativos brasileiros. Diante da necessidade de esclarecimentos sobre o controle das despesas, as decisões e os debates relacionados à condução da política econômica ganharam peso na avaliação dos investidores.
Os indicadores de atividade também contribuíram para o ambiente de cautela. A produção industrial brasileira registrou queda de 0,8% em setembro. O resultado reforçou os sinais de desaceleração da economia e foi analisado pelo mercado em conjunto com a decisão do Copom, as discussões fiscais e o desempenho do dólar e do Ibovespa.


