O deputado federal André Janones (Rede-MG) afirmou que não pretende assumir um ministério no novo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em publicação feita no X, neste domingo (1º/11), o parlamentar disse que prefere permanecer na Câmara dos Deputados, onde acredita que poderá manter o mesmo tipo de atuação adotado durante o segundo turno das eleições.
Janones justificou a decisão afirmando que um cargo no Executivo poderia limitar sua atuação por causa das exigências formais e dos compromissos burocráticos associados à função. Segundo ele, a permanência no Legislativo permitiria continuar contribuindo diretamente para a estratégia política e de comunicação em apoio ao presidente.
“Porque não desejo ser ministro? Porque não posso ter as amarras da liturgia de um cargo nem ficar preso em compromissos burocráticos!”, escreveu o deputado. Na sequência, afirmou que a Câmara seria o espaço em que conseguiria entregar a Lula “exatamente o mesmo” que entregou durante o segundo turno.
Janones também declarou que um ministério representaria sua “zona de conforto”, mas que sua intenção seria ajudar o presidente a organizar e manter uma estrutura de mobilização política capaz de contribuir para uma avaliação positiva do mandato. “O único lugar onde eu conseguirei entregar ao Presidente Lula exatamente o mesmo que entreguei neste segundo turno, é na Câmara dos Deputados!”, publicou.
Estrutura digital criada durante a campanha
A posição anunciada por Janones está relacionada à continuidade do chamado “Exército do Lula”, canal criado pelo parlamentar logo após o fim do primeiro turno das eleições gerais. A estrutura foi formada com o objetivo de apoiar a campanha de Lula e passou a reunir seguidores mobilizados em torno de ações no ambiente digital.
De acordo com as informações divulgadas, o canal possui cerca de 10,5 milhões de seguidores. Janones utiliza o espaço para enviar orientações aos apoiadores, chamados por ele de “guerreiros do presidente Lula”, com instruções para compartilhar conteúdos, ampliar buscas e impulsionar publicações favoráveis ao petista.
O canal ultrapassou a marca de 10 milhões de seguidores na sexta-feira (23/10), dois dias antes do segundo turno. O crescimento ocorreu de forma rápida, impulsionado pelas chamadas “missões”, nome dado às orientações transmitidas por Janones para coordenar a atuação dos apoiadores nas plataformas digitais.
A decisão de permanecer na Câmara indica que o deputado pretende manter ativa a estrutura construída durante a campanha, em vez de transferir sua atuação para um ministério. Integrantes do governo avaliam que a continuidade dessa mobilização pode ser positiva ao longo do novo mandato, especialmente como instrumento de apoio político diante de um Congresso Nacional mais identificado com a direita.


