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Governo Lula aguarda eleições legislativas nos EUA para avaliar futuro da relação com Trump

Governo Lula aguarda eleições legislativas nos EUA para avaliar futuro da relação com Trump

O governo Luiz Inácio Lula da Silva acompanha as eleições de meio de mandato dos Estados Unidos e avalia que o resultado poderá indicar os próximos rumos da relação bilateral com o Brasil. As chamadas midterms ocorrem em meio à crise diplomática provocada pela aplicação de tarifas sobre produtos brasileiros e às novas tensões geradas pela fuga de Flávio Bolsonaro para Miami.

Segundo interlocutores do governo petista, a relação entre Brasília e Washington poderá sofrer desdobramentos conforme a composição do Congresso norte-americano após o pleito. As eleições, marcadas para esta terça-feira (3/11), vão renovar integralmente a Câmara dos Representantes, um terço do Senado e os governos de 36 estados dos Estados Unidos.

O resultado é considerado um teste para a força política e a popularidade do presidente Donald Trump. O Partido Republicano, atualmente majoritário nas duas Casas do Congresso, corre o risco de perder espaço para os democratas. Para o governo brasileiro, parte dos temas comerciais e diplomáticos em discussão deve permanecer sem avanços enquanto a administração Trump concentra sua atenção no processo eleitoral.

O calendário político dos dois países acrescentou pressão às negociações bilaterais. Durante o período que antecedeu a eleição presidencial brasileira, Brasília e Washington acompanharam a possibilidade de mudança no governo brasileiro e os efeitos que isso poderia produzir na condução da política externa. Com a reeleição de Lula e a realização das eleições legislativas norte-americanas, o Planalto agora espera sinais mais claros sobre as prioridades de Trump.

Esse cenário mantém em compasso de espera parte das tratativas entre os dois governos. A relação bilateral atravessa um período de incerteza desde o início do atual mandato norte-americano, especialmente por causa das divergências comerciais e diplomáticas acumuladas. A avaliação no governo brasileiro é que decisões consideradas politicamente sensíveis podem ser adiadas até que haja maior clareza sobre o ambiente interno dos Estados Unidos.

Negociação sobre tarifas perdeu ritmo

Entre os principais assuntos pendentes está a negociação para tentar reverter ou reduzir o chamado tarifaço aplicado a produtos brasileiros. As conversas chegaram a ser retomadas em agosto, depois de uma ligação entre Lula e Trump, mas perderam força enquanto os dois países aguardavam o resultado da eleição brasileira.

Na avaliação de integrantes da gestão petista, a falta de iniciativa da Casa Branca naquele momento era explicada pela incerteza sobre quem comandaria o Palácio do Planalto após o pleito. Com a definição do cenário brasileiro, a atenção passou a se concentrar nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos e no impacto que uma eventual mudança no Congresso poderá ter sobre a política de Trump.

O compasso de espera, no entanto, não significa que todos os canais de diálogo estejam interrompidos. A avaliação é que as relações continuam em funcionamento, mas decisões que exigem maior capital político podem ser postergadas até que os governos tenham uma visão mais definida sobre as condições domésticas de cada país.

Eventual avanço democrata pode abrir espaço para outros temas

O governo brasileiro considera que uma possível ampliação da bancada democrata no Congresso norte-americano poderia influenciar a agenda externa dos Estados Unidos e criar mais espaço para temas defendidos por Lula. Entre os assuntos citados estão meio ambiente e regulação das chamadas big techs, pautas que interessam ao governo brasileiro, mas que não encontram o mesmo alinhamento na agenda conservadora de Trump.

Uma eventual mudança na correlação de forças do Congresso, contudo, não representaria necessariamente uma alteração imediata na postura da Casa Branca. O presidente norte-americano mantém poderes relevantes em instrumentos comerciais e em decisões de política externa. Ainda assim, um Congresso menos alinhado ao governo poderia impor novas negociações e contribuir para reduzir as tensões entre Brasília e Washington.

Relação com a família Bolsonaro amplia tensão diplomática

A crise também é alimentada pela proximidade entre o clã Bolsonaro e integrantes do governo dos Estados Unidos. Para o Palácio do Planalto, essa coordenação tem prejudicado a relação entre os dois países, sobretudo diante dos vínculos mantidos pelo Departamento de Estado com aliados da família, entre eles Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo.

Outro fator de tensão é o suposto apoio da Casa Branca para que Flávio Bolsonaro deixasse o Brasil. O senador descumpriu uma decisão judicial na terça-feira (27/10), ao sair do país e desembarcar em Miami, na Flórida, depois de obter vistos de permanência nos Estados Unidos.

O episódio impôs um novo desafio à diplomacia brasileira, que tenta impedir que o caso seja tratado exclusivamente sob uma perspectiva política e provoque uma deterioração ainda maior das relações bilaterais. A estratégia do governo Lula é preservar o caráter institucional das negociações e evitar que as tensões envolvendo o senador se transformem em mais um obstáculo à retomada do diálogo entre Brasília e Washington.

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