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Suposta ajuda da Argentina na saída de Flávio Bolsonaro amplia crise diplomática com o Brasil

Suposta ajuda da Argentina na saída de Flávio Bolsonaro amplia crise diplomática com o Brasil

A possível participação de autoridades argentinas na saída do senador Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil, após sua derrota nas eleições presidenciais para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), elevou a tensão entre Brasília e Buenos Aires. O episódio, que ainda não tem comprovação definitiva sobre o envolvimento do governo de Javier Milei, ocorre em meio a uma crise diplomática já instalada entre os dois países e reduz as perspectivas de normalização da relação bilateral.

Flávio Bolsonaro deixou o Brasil na semana passada, depois de afirmar que não reconheceria o resultado das eleições. Segundo as informações disponíveis, o senador seguiu para os Estados Unidos em um deslocamento que incluiu passagens pela Argentina e pelo Equador. A operação teria contado com o apoio da Casa Branca e, possivelmente, também da Casa Rosada, sede do governo argentino.

A suspeita sobre a atuação argentina envolve Santiago Caputo, um dos principais assessores do presidente Javier Milei. Ele teria participado da organização da saída de Flávio Bolsonaro do território brasileiro. O senador também teria utilizado um jatinho da empresa argentina Baires Fly S.A., que é investigada na Argentina em um caso relacionado a um esquema envolvendo a irmã do líder argentino.

Diante das suspeitas, o governo brasileiro convocou a encarregada de negócios da Embaixada da Argentina em Brasília para prestar esclarecimentos. Na quinta-feira (29/10), a ministra-conselheira Emilia Cortés, responsável pela representação diplomática argentina no país, foi chamada ao Palácio Itamaraty para fornecer mais informações a um embaixador brasileiro.

Deputada argentina questiona participação de autoridades locais

A possível colaboração de integrantes do governo argentino também passou a ser contestada por políticos do país vizinho. A deputada Marcela Marina Pagano acionou a Justiça Federal de Puerto Iguazú para investigar se autoridades locais tiveram algum papel na passagem de Flávio Bolsonaro pela Argentina.

Pagano afirmou, porém, que a administração de Milei estaria pressionando a Justiça e servidores públicos da província de Misiones, onde fica Puerto Iguazú, para impedir que provas sobre o caso se tornem públicas. Diante dessa alegação, a parlamentar também recorreu à Justiça brasileira e pediu auxílio para esclarecer em quais circunstâncias o senador deixou o Brasil em direção ao território argentino.

Até o momento, não há indícios claros que comprovem a participação de autoridades argentinas na saída de Flávio Bolsonaro. Ainda assim, o jornal O Tempo informou que a Embaixada da Argentina em Brasília registrou uma movimentação considerada atípica na madrugada entre segunda-feira (26/10) e terça-feira (27/10), período em que o senador deixou o país.

A informação foi posteriormente confirmada por pessoas que têm conhecimento do episódio e foram ouvidas pelo jornal Metrópoles sob condição de anonimato. A apuração também apontou que diplomatas argentinos demonstraram preocupação com a possibilidade de vazamento de informações sobre o que teria ocorrido naquela noite dentro da representação diplomática.

Relação entre Lula e Milei já estava deteriorada

O caso ocorre depois de meses de desgaste entre os governos brasileiro e argentino. A crise teve início em julho, durante uma visita de Javier Milei a São Paulo para participar do lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República. O evento contou com a presença de aliados políticos do senador.

Durante o ato, Milei fez críticas contundentes ao governo brasileiro, voltou a chamar Lula de “presidiário” e classificou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), como “lixo careca”. Em resposta, o Itamaraty convocou o então embaixador argentino em Brasília para prestar esclarecimentos sobre as declarações.

Mesmo após a reação diplomática brasileira, Milei manteve os ataques ao presidente Lula e repetiu as críticas em manifestações públicas. Com a continuidade do conflito, o governo brasileiro determinou a retirada dos embaixadores brasileiro e argentino de suas respectivas embaixadas. A medida foi interpretada como um rebaixamento do nível das relações bilaterais.

Lula e Milei representam projetos políticos distintos para a América do Sul. O presidente argentino foi eleito em 2023 após uma campanha marcada por críticas a Lula e por um discurso de confronto com o petista. Desde então, Milei não realizou uma visita de Estado ao presidente brasileiro, embora tenha viajado duas vezes ao Brasil para compromissos relacionados à família Bolsonaro.

Durante a última corrida eleitoral brasileira, Milei manifestou apoio a Flávio Bolsonaro, apontado como o principal opositor de Lula no pleito, e endossou a candidatura do filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Quase uma semana após o resultado que reelegeu Lula para um quarto mandato, Milei era o único presidente da América do Sul que ainda não havia parabenizado o brasileiro pela vitória. Outros líderes de direita da região já haviam reconhecido o resultado e cumprimentado o presidente eleito.

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