A norte-americana Tia Bee Stokes, de 46 anos, foi diagnosticada com leucemia mieloide aguda meses depois de dar à luz seu quinto filho. Na época, aos 40 anos, ela acreditava estar enfrentando uma gripe forte, mas sintomas como tosse, mal-estar, suor noturno, perda de apetite e dores de cabeça latejantes se agravaram ao longo dos meses.
Moradora de Utah, nos Estados Unidos, Tia passou a apresentar os primeiros sinais da doença logo após o nascimento da filha Rose. Enquanto cuidava do bebê, percebeu que sua saúde se deteriorava e que já não conseguia manter a rotina que tinha antes. O quadro também alterou sua relação com o marido e os demais filhos, já que ela deixou de participar das atividades familiares como fazia anteriormente.
“Perdi muita coisa, pois tudo o que eu podia fazer era ficar deitada no sofá abraçada ao meu bebê enquanto lutava pela minha vida”, disse Tia ao jornal britânico The Sun.
Antes do diagnóstico, a norte-americana era dançarina profissional, administrava dois estúdios e mantinha uma rotina ativa com os filhos. Ela também realizava trabalhos sociais para arrecadar fundos destinados a pessoas com câncer. A mudança repentina causada pela doença fez com que precisasse abandonar essas atividades e concentrar todas as forças no tratamento.
Diagnóstico ocorreu durante a pandemia
A confirmação da leucemia mieloide aguda ocorreu em abril de 2020, no período em que o mundo enfrentava a pandemia da Covid-19. O diagnóstico veio depois que um hemograma apontou uma alteração severa nos glóbulos brancos. Os níveis registrados nos exames eram tão críticos que impressionaram os médicos.
A leucemia mieloide aguda é um tipo de câncer agressivo e de crescimento rápido. Após analisar a gravidade do caso, os médicos disseram à família que seria improvável que Tia deixasse o hospital com vida. A partir daquele momento, ela iniciou uma longa sequência de tratamentos, que incluiu nove meses internada e mais dois meses em acompanhamento ambulatorial.
Durante a quimioterapia, Tia enfrentou complicações graves. Ela perdeu a fala e a mobilidade, teve insuficiência renal e desenvolveu pneumonia. Além dos efeitos físicos, também sofreu com uma depressão profunda, agravada pelo isolamento e pela distância em relação ao marido e aos filhos.
“Eu estava completamente sozinha lá dentro, perdendo tudo o que era importante para mim”, relatou.
Distância da filha recém-nascida foi um dos momentos mais difíceis
Para Tia, um dos aspectos mais dolorosos do tratamento foi ficar afastada de Rose, que ainda era bebê. Enquanto ela permanecia no hospital, a filha crescia longe da mãe e não teve a oportunidade de estabelecer com ela o vínculo esperado nos primeiros meses de vida.
Quando finalmente voltou para casa, Rose não a reconheceu. Segundo Tia, a menina se recusava a chamá-la de mãe, pois não a identificava dessa maneira. A recuperação da relação precisou ser construída aos poucos, com a norte-americana tentando conquistar novamente a confiança da própria filha.
“Ela se recusava a me chamar de mãe porque não me conhecia dessa forma. Tratava-se de conquistar a confiança da minha própria filha e criar um vínculo com ela — começando como uma estranha”, contou.
A família também precisou se reorganizar durante o período de internação. Os filhos de Tia tiveram que aprender a se cuidar sozinhos, enquanto o marido trabalhava longas horas para garantir as despesas da casa. Para ela, essa transformação na rotina familiar foi ainda mais difícil do que enfrentar algumas etapas do câncer.
Transplante levou à remissão da doença
Em dezembro de 2020, Tia foi submetida a um transplante de medula óssea. Cem dias depois do procedimento, recebeu a notícia de que a leucemia estava em remissão. Mesmo após a alta, ela permaneceu em casa sob monitoramento durante todo o período de recuperação.
Seis anos depois, considerada fora de perigo, Tia tenta retomar a rotina e recuperar o tempo perdido com a família. Embora diga estar novamente próxima dos filhos, reconhece que a reconstrução dos vínculos foi gradual e levou anos.
“Estou muito próxima dos meus filhos novamente, mas levou anos para chegarmos a esse ponto”, concluiu.


