Correio Divinopolitano

Estudo revela influência de banqueiro no jornalismo do Estadão e ligações financeiras com grupo de Luiz Estevão

Estudo revela influência de banqueiro no jornalismo do Estadão e ligações financeiras com grupo de Luiz Estevão

Uma série de conversas vazadas revela que o jornal O Estado de São Paulo, conhecido como Estadão, teria tentado minimizar sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro ao tentar explicar mensagens nas quais o próprio banqueiro afirma que, no jornal, eles estão “em casa”. Essas mensagens indicam que Vorcaro exercia influência editorial na publicação, hoje controlada por banqueiros e empresários. As conversas, obtidas por meio de prints de telefone, mostram Vorcaro dialogando com seu sócio Flávio Carneiro, em um contexto que sugere uma relação próxima e de influência no conteúdo do veículo.

O jornal tentou contornar as evidências ao alegar que o Metrópoles, veículo de imprensa que revelou parte dessas conversas, teria publicado um recorte seletivo das mensagens vazadas, omitindo o conteúdo completo. No entanto, a íntegra dos diálogos demonstra que a exposição feita pelo Metrópoles reflete fielmente as conversas entre Vorcaro e Carneiro, confirmando as suspeitas de que o Estadão, apesar de sua sobrevivência financeira por meio de empréstimos de bancos adversários ao Grupo Master, não teria resistido às pressões de Vorcaro e seus interesses.

O conteúdo das mensagens também revela detalhes sobre a operação financeira que deu sobrevida ao jornal, envolvendo a emissão de debêntures que quitaram uma dívida de aproximadamente R$ 159 milhões. Essa operação contou com a participação de bancos e grandes empresários, cuja identidade só veio a público após uma reportagem do próprio Metrópoles. Entre os envolvidos, destaca-se o empresário Rubens Ometto, que organizou o socorro financeiro ao Estadão. Ometto e seus parceiros bancários passaram a ocupar espaço no jornal, levando à sua alcunha de “Jornal dos Banqueiros”. O próprio Estadão admitiu, em sua narrativa, a presença de Ometto entre os debenturistas, embora tenha omitido por dois anos os nomes dos credores, revelados posteriormente pelo Metrópoles.

No diálogo divulgado, Vorcaro lamenta por não ter participado do negócio de socorro, o que indica uma possível exclusão de seu grupo do acordo, já que Ometto e seus aliados não o convidariam a integrar o grupo de credores, dado que representam seus principais rivais no mercado financeiro. O Estadão também tenta desacreditar o trabalho do Metrópoles ao classificar como “ataque” uma matéria que, na verdade, se baseia em conversas públicas e acessíveis, além de solicitar respostas ao jornal paulista, procedimento padrão do jornalismo responsável.

O veículo paulista também questiona a veracidade de declarações de Carneiro, que afirmou estar “em casa” e ter “créditos” com o Estadão, sugerindo que tais afirmações seriam uma tentativa de Carneiro de demonstrar influência que, na visão do jornal, não teria. Caso o Estadão considere tais afirmações falsas, surge a questão se pretende processar Carneiro por suposta difamação. Além disso, o jornal também cita uma conversa de Vorcaro com Ana Matos, então superintendente de Marketing e Comunicação do Banco Master, na qual Vorcaro lamenta a incapacidade de controlar a narrativa do jornal, o que, segundo ele, gerava irritação na cúpula do banco.

Contudo, essa queixa é contrastada por uma série de matérias publicadas pelo Metrópoles, que questionaram a solidez financeira do Banco Master e suas negociações com o Banco de Brasília (BRB). Em sua narrativa, o Estadão também acusa o Metrópoles de adotar um “método” de intimidação editorial, semelhante ao utilizado por outros veículos, como a Folha de S.Paulo e o banco Itaú, ao publicar textos retaliatórios após exposições de pagamentos milionários envolvendo o grupo de Luiz Estevão, o Banco Master e outros envolvidos.

As conversas divulgadas pelo Metrópoles também revelam relatos de Vorcaro com diversos interlocutores, incluindo representantes do Poder Judiciário, órgãos de imprensa e empresários, demonstrando uma rede de relações que, segundo os vazamentos, estaria alinhada a interesses de bastidores. O jornal paulista ainda tenta minimizar a importância do trabalho do veículo de notícias, alegando que o fato de o Metrópoles ter divulgado detalhes de contratos de transmissão da Série D do Campeonato Brasileiro, em parceria com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), seria uma tentativa de desmerecer sua influência.

De fato, a comercialização dos “naming rights” para a competição, que passou a se chamar Will Bank Série D, foi uma das principais transações envolvendo o grupo de Luiz Estevão, com valores que, segundo o Estadão, atingiriam R$ 6 milhões para a transmissão, além de outros contratos de valores variados, como R$ 20 milhões e R$ 25 milhões. No entanto, o contrato de R$ 25 milhões não foi cumprido, devido à liquidação do banco, enquanto o de R$ 20 milhões pode ser facilmente verificado por meio das campanhas publicitárias veiculadas pelo Metrópoles, que também contou com anúncios na TV Globo, Record, Estadão e outros veículos.

Em uma das conversas divulgadas, Vorcaro afirma que “coisa mais importante nossa vida é esse Metrópoles”, refletindo sua preferência pelo portal, que possui uma audiência diária de aproximadamente 600 milhões de acessos e mais de 35 milhões de seguidores nas redes sociais, números que contrastam com a circulação do Estadão, atualmente estimada em menos de 35 mil exemplares diários. O próprio veículo paulista, que vive uma crise de audiência e circulação, deixou de divulgar seus números ao Instituto Verificador de Comunicação (IVC), o que reforça a percepção de queda contínua na sua relevância no cenário jornalístico nacional.

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