O senador Flávio Bolsonaro (PL) está empenhado em diminuir a vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na região Nordeste, buscando conquistar votos de eleitores que apoiaram outros candidatos no primeiro turno, realizado em 4 de outubro, além de moradores insatisfeitos com a atual gestão federal. A estratégia visa ampliar a diferença de votos do candidato bolsonarista no cenário nacional, especialmente na reta final da campanha, que culmina no próximo domingo, 25 de outubro.
Para alcançar esse objetivo, a campanha de Flávio dividiu suas ações entre o próprio senador e aliados capazes de mobilizar públicos sem a presença direta do candidato. Na quarta-feira, dia 21 de outubro, Flávio participou de uma agenda em Fortaleza, capital do Ceará, enquanto o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que passou por Salvador, Teresina e Aracaju, tem uma série de eventos previstos para os próximos dias, incluindo uma caminhada no Recife na quinta-feira, dia 22, e outra na capital cearense na sexta, dia 23, ao lado do deputado federal André Fernandes (PL-CE).
Essas ações incluem eventos com trios elétricos, denominados “Bloquinho do 22”, que mantêm apoiadores nas ruas enquanto o candidato principal se prepara para o debate na TV Globo. Além disso, Nikolas Ferreira tem conduzido uma campanha de mobilização na internet, com publicações que relatam supostas dificuldades financeiras e insatisfações com promessas do governo Lula na região Nordeste, buscando assim atrair eleitores indecisos ou que possam mudar de voto.
Segundo pesquisa divulgada na quarta-feira pelo instituto Quaest, Lula mantém uma liderança sólida no Nordeste, com 61% das intenções de voto na região, contra 31% de Flávio Bolsonaro. No cenário nacional, porém, a diferença entre ambos é de apenas um ponto percentual, com 45% para o campanha do senador e 44% para o presidente, indicando uma disputa bastante acirrada.
No primeiro turno, a região Nordeste, que possui cerca de 43,5 milhões de eleitores — aproximadamente 27,42% do total nacional — foi palco de uma vitória expressiva de Lula, que obteve aproximadamente 21,5 milhões de votos na região. Flávio Bolsonaro conquistou mais de 10,4 milhões de votos, representando um crescimento de 18,3% em relação à disputa de 2022, quando recebeu cerca de 8,8 milhões de votos na região.
O crescimento de Flávio na região Nordeste também se reflete na comparação com o desempenho do ex-presidente Jair Bolsonaro na mesma área. No segundo turno de 2022, Jair Bolsonaro recebeu aproximadamente 10 milhões de votos na região, enquanto Flávio conquistou 1,6 milhão a mais, elevando sua participação para 30,85% dos votos válidos, contra 26,97% do pai. Apesar de Lula vencer nos nove estados nordestinos, com uma margem de 63,77% dos votos válidos, ele perdeu cerca de 259 mil votos em relação ao primeiro turno de 2022, o que indica uma leve diminuição de sua votação na região.
A campanha de Flávio acredita que ampliar sua votação no Nordeste pode contribuir para melhorar seu desempenho no cenário nacional, mesmo que não consiga superar Lula na região. Além do esforço na região Nordeste, aliados do senador também trabalham para fortalecer a candidatura no Sudeste, que concentra os maiores colégios eleitorais do país.
Na estratégia de mobilização, o deputado Nikolas Ferreira divulgou um vídeo na terça-feira, que busca convencer eleitores nordestinos a romper com Lula, atingindo até então cerca de 155 milhões de visualizações no Instagram até a tarde de quarta-feira. Além disso, ele utiliza um canal no WhatsApp para compartilhar depoimentos e orientar apoiadores a disseminar o conteúdo, ampliando assim o alcance de sua campanha de convencimento.
Nos bastidores, a campanha de Flávio também tenta conter possíveis desgastes relacionados a declarações sobre o programa Bolsa Família. A coordenadora econômica do candidato, Daniella Marques, defendeu uma transição de dois anos para beneficiários que conseguirem emprego ou abrirem um negócio, o que foi interpretado por apoiadores do PT como uma possibilidade de mudanças no programa social, que atende quase 9 milhões de famílias na região Nordeste, o maior contingente de beneficiários por região no Brasil. Flávio afirmou, por meio das redes sociais, que manterá o programa e que o prazo de transição valeria apenas após a entrada no mercado de trabalho, buscando assim minimizar possíveis impactos negativos na sua imagem junto ao eleitorado nordestino.


