Correio Divinopolitano

Práticas de hábitos saudáveis e dieta equilibrada podem contribuir para o controle da endometriose

Práticas de hábitos saudáveis e dieta equilibrada podem contribuir para o controle da endometriose

A adoção de hábitos de vida saudáveis e a prática de uma alimentação com propriedades anti-inflamatórias têm demonstrado potencial para reduzir o processo inflamatório crônico e aliviar os sintomas de dor associados à endometriose. A condição, caracterizada pelo crescimento do tecido endometrial — que reveste o interior do útero — fora de sua localização habitual, provoca aderências nos órgãos pélvicos e episódios frequentes de dor intensa. Embora mudanças no cotidiano e na dieta não substituam o acompanhamento médico nem eliminem os focos da doença, essas intervenções podem atuar de forma positiva no reequilíbrio hormonal e no bem-estar geral das mulheres afetadas.

A endometriose é uma condição que afeta uma parcela significativa da população feminina em idade reprodutiva, podendo causar impacto considerável na qualidade de vida. Entre os fatores que dificultam o controle da doença, destacam-se a obesidade e o sedentarismo, que prejudicam a regulação hormonal do organismo e podem agravar o quadro clínico. Por outro lado, a realização regular de exercícios físicos que promovam a mobilidade da pelve favorece a melhora da circulação na região, contribuindo para a diminuição da inflamação local e o alívio dos sintomas.

Outro aspecto fundamental para o manejo da endometriose é o controle do estresse e a qualidade do sono. A privação de descanso e o estresse crônico têm a capacidade de desequilibrar a produção de prolactina pela hipófise, o que interfere na regulação dos hormônios estrogênio e progesterona. Essa alteração hormonal pode aumentar o refluxo do tecido endometrial para além do útero, agravando a inflamação e a dor. A ginecologista e obstetra Albertina Takiuti reforça que esses fatores atuam como gatilhos para a intensificação dos sintomas, destacando a importância de buscar auxílio profissional diante de dores menstruais intensas e anormais.

Para o diagnóstico precoce, ela indica a realização de exames como ressonância magnética e ultrassom com preparo intestinal, essenciais para identificar focos da doença e prevenir complicações, incluindo a infertilidade. Além do tratamento clínico, a alimentação desempenha papel estratégico na gestão da endometriose. Uma dieta balanceada, rica em alimentos antioxidantes, fibras e gorduras boas, ajuda a proteger as células e a moderar a resposta inflamatória do organismo. A nutricionista clínica Camila Mognatti, coordenadora do Curso de Nutrição da Estácio Brasília, explica que nutrientes como o ômega-3, presente na sardinha, são particularmente benéficos na rotina diária de quem busca controlar os sintomas.

Por outro lado, o consumo excessivo de produtos ultraprocessados, como refrigerantes, embutidos e biscoitos recheados, pode contribuir para alterações metabólicas que agravariam o processo inflamatório. Camila alerta que o foco deve estar na manutenção do equilíbrio, evitando a retirada de grupos alimentares essenciais, como glúten e laticínios, sem orientação especializada. Ela ressalta que a exclusão indiscriminada pode levar a deficiências nutricionais e dificultar a adesão a uma dieta equilibrada.

Além disso, o funcionamento adequado do trato gastrointestinal também influencia na percepção da dor. Complicações digestivas, como constipação, são comuns em pacientes com endometriose e podem intensificar o desconforto geral. Assim, a ingestão regular de água e de fibras presentes em vegetais, feijão e cereais integrais é recomendada para promover o equilíbrio intestinal, contribuindo para a redução do desconforto e a melhora da qualidade de vida.

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