A bandeira do anime “One Piece”, caracterizada pela imagem de uma caveira sorridente usando chapéu de palha, foi exibida em diversas manifestações de apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) realizadas nesta semana. A presença do símbolo, que inicialmente chamou atenção nas redes sociais, gerou questionamentos sobre sua relação com o contexto político, levando à compreensão de que seu significado está ligado à história da própria obra.
A bandeira pertence à tripulação dos “Piratas do Chapéu de Palha”, liderada pelo personagem Monkey D. Luffy, criado pelo mangaká japonês Eiichiro Oda em 1997. Desde sua estreia, “One Piece” tornou-se um dos animes mais populares mundialmente, acompanhando a jornada de Luffy na busca pelo tesouro conhecido como “One Piece” para alcançar o título de Rei dos Piratas. Apesar do tom inicialmente aventureiro e humorístico, a narrativa evolui para abordar temas políticos e sociais relevantes. Ao longo da história, Luffy e sua tripulação enfrentam governantes tirânicos, autoridades corruptas e sistemas que exploram e silenciar populações inteiras, refletindo questões de opressão e resistência.
O uso político do símbolo de “One Piece” não é exclusivo do Brasil. Em 2025, a bandeira da obra ganhou destaque internacional ao aparecer em protestos liderados por jovens em países como Nepal, Indonésia, Filipinas, França, Bélgica e Argentina. Em cada ato, o emblema foi utilizado com um propósito comum: expressar oposição a estruturas de poder percebidas como opressoras e autoritárias. No Brasil, essa lógica se repete, especialmente em atos pró-Lula, onde parte dos manifestantes adotou a bandeira como uma forma de defender a democracia, contestar o autoritarismo e aproximar a mobilização política de um público mais jovem, conectado à cultura pop.
Importante ressaltar que a associação do símbolo ao movimento político não implica uma ligação oficial entre “One Piece” ou seu criador e o ex-presidente Lula ou o Partido dos Trabalhadores (PT). O uso da bandeira reflete a interpretação de um grupo específico de apoiadores, que identificaram na narrativa de Luffy uma maneira de expressar sua postura contra repressão e autoritarismo. Essa prática demonstra como elementos culturais podem ser incorporados a manifestações políticas, ampliando o alcance da mensagem.
Nos últimos dias, a militância e diversos movimentos sociais intensificaram suas ações pelo país, buscando reforçar o apoio à candidatura de Lula à reeleição. No domingo, 11 de outubro, o Comitê Popular de Luta registrou 156 manifestações em 76 cidades brasileiras, sendo o destaque uma grande concentração na Avenida Paulista, em São Paulo, onde o ex-presidente discursou ao lado de aliados como o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. No Distrito Federal, apoiadores ocuparam trechos do Eixão Norte, enquanto as mobilizações continuaram na terça-feira, dia 13, com atos em pelo menos 11 capitais. Essas atividades envolveram reuniões com lideranças partidárias e movimentos estudantis, com o objetivo de manter o engajamento da militância até o segundo turno, marcado para 25 de outubro, data crucial para a definição do pleito presidencial.


