Deputados federais do Partido dos Trabalhadores, Rui Falcão (PT-SP) e Rogério Correia (PT-MG), encaminharam ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, uma Notícia de Fato solicitando a abertura de inquérito contra o ministro Kassio Nunes Marques. A denúncia aponta possíveis ligações do magistrado com Daniel Vorcaro, banqueiro do Banco Master, com base em relatórios da Polícia Federal (PF) produzidos no âmbito da Operação Compliance Zero. Esses relatórios analisaram materiais apreendidos de celulares de Vorcaro e indicam vínculos entre o banqueiro e Nunes Marques, incluindo aspectos patrimoniais e pessoais.
Segundo a representação, elementos coletados pelo STF sugerem uma relação de convivência e interesses econômicos entre o ministro e Vorcaro, especialmente durante julgamentos de relevância para o Banco Master. Os deputados destacam que Nunes Marques participou de julgamentos decisivos em favor do banco, como o caso da Destilaria Alcídia, cujo resultado teve impacto financeiro bilionário. Na ocasião, o ministro proferiu voto de desempate favorável à tese do credor em 1º de outubro de 2024, o que beneficiou diretamente o Banco Master, que possuía aproximadamente R$ 10 bilhões em carteira de precatórios relacionados ao setor.
A atuação do ministro nesse julgamento foi acompanhada de mensagens de membros do Banco Master, incluindo Luiz Rennó, diretor jurídico da instituição, que comemorou o resultado com a frase “ganhamos Alcídia”. Além disso, mensagens reveladas indicam a troca de contatos entre o filho de Nunes Marques e Vorcaro, incluindo referências a um suposto contato com um advogado, Kevin de Carvalho Marques, filho do advogado Kevin Marques, que recebeu R$ 281,6 mil de uma empresa ligada ao banco, a Consult Inteligência Tributária, que por sua vez recebeu R$ 6,6 milhões do Banco Master. Kevin Marques, de apenas 25 anos e com dois anos de atuação na advocacia, já assinou contratos de valores elevados com clientes como Refit e Grupo Petrópolis.
A denúncia também menciona um contrato de advocacia de até R$ 427 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório da advogada Camilla Ewerton Ramos, esposa do desembargador federal Newton Ramos. As mensagens indicam que o casal teria sido mencionado pelo banqueiro como “Turma do KN”, uma referência às iniciais do ministro Nunes Marques, e que Newton Ramos teria repassado ao banqueiro pedidos de hospedagem em hotéis de luxo, além de atualizações sobre processos envolvendo precatórios.
Outro ponto destacado pelos deputados refere-se à organização de uma estrutura de hospedagem e lazer para Nunes Marques durante o Carnaval de 2025, incluindo uma mansão no bairro do Joá, no Rio de Janeiro, avaliada em aproximadamente R$ 1,45 milhão. Também há menções a um encontro ocorrido em São Paulo, no edifício Pateo Leopoldo, no qual uma mulher identificada como Rayanna teria tratado de um encontro com mulheres, cobrando uma quantia de R$ 10 mil após uma suposta relação com Kassio Nunes Marques.
Os parlamentares ainda citaram o transporte aéreo do ministro e de sua esposa entre Brasília e Maceió, em novembro de 2025, realizado em aeronave de uma empresa ligada ao banqueiro Vorcaro e custeado pela advogada Camilla Ramos, ligada ao Banco Master. Além disso, há menções a um Mandado de Segurança nº 40.823, distribuído a Nunes Marques em março de 2026, que visa a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Banco Master no Senado. Os deputados alegam que, após o senador Ciro Nogueira, com quem o ministro mantém uma relação próxima, passar a ser alvo das investigações, pedidos de suspeição contra Nunes Marques foram rejeitados pelo STF, sem análise do mérito, permanecendo pendentes mais de seis meses após a distribuição do mandado.


