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PEC da redução da jornada de trabalho deve ser analisada no Senado, mas pode não avançar devido ao cenário eleitoral

PEC da redução da jornada de trabalho deve ser analisada no Senado, mas pode não avançar devido ao cenário eleitoral

A análise da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe a redução da jornada de trabalho, conhecida como PEC 6×1, está prevista para começar nesta terça-feira (6/10) no plenário do Senado Federal. No entanto, o andamento do processo encontra obstáculos relacionados ao resultado das eleições presidenciais de domingo (4/10), que podem dificultar ou até impedir a tramitação da matéria nesta fase do Congresso.

A PEC, que visa diminuir a carga horária máxima de 44 para 40 horas semanais, passando inicialmente por uma redução para 42 horas, é uma das principais apostas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para consolidar sua vitória no segundo turno, marcado para 25 de outubro. Com o objetivo de acelerar a pauta, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), agendou para esta semana a discussão do texto em plenário, após a aprovação na Câmara dos Deputados em maio e a tramitação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, durante o esforço concentrado de setembro.

Contudo, Alcolumbre, que busca a reeleição para o comando do Senado no início do próximo mandato legislativo, depende do apoio da bancada bolsonarista para manter sua posição. O partido de Flávio Bolsonaro, o PL, que terá a maior bancada do Senado em 2024 com 28 senadores, saiu vitorioso nas eleições e tem manifestado resistência à proposta. Flávio Bolsonaro, que obteve 47,03% dos votos no primeiro turno, classificou a PEC como “eleitoreira” e trabalha para que ela não avance, enquanto seu coordenador de campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), que pode disputar a presidência do Senado, é um crítico da matéria e chegou a apresentar um projeto paralelo para tentar barrar sua tramitação.

Além disso, a proximidade do segundo turno permite que senadores reeleitos manifestem-se contra a PEC sem receio de reações negativas nas urnas, o que pode atrasar ou inviabilizar sua votação. Apesar disso, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou nesta segunda-feira (5/10) que o resultado do primeiro turno não deve impactar a votação. Guimarães declarou que Davi Alcolumbre está firme na intenção de votar a matéria ainda nesta semana e que o processo deve avançar até quarta-feira, independentemente do cenário eleitoral, reforçando que a proposta é de interesse do país.

A PEC, aprovada na Câmara dos Deputados e na CCJ do Senado, prevê inicialmente a redução da jornada semanal de 44 para 42 horas, com promulgação prevista para 60 dias após a aprovação, e uma redução posterior para 40 horas, um ano após a entrada em vigor. A proposta também garante dois dias de descanso remunerado por semana, preferencialmente aos domingos, além de permitir que convenções e acordos coletivos estabeleçam formas alternativas de organização da jornada de trabalho, desde que respeitem os limites constitucionais.

A tramitação da PEC ainda exige a aprovação de pelo menos 49 dos 81 senadores em dois turnos de votação, uma exigência constitucional para mudanças na Constituição Federal. Como o texto passou na Câmara e na CCJ do Senado, sua promulgação depende apenas do aval do Congresso, sem necessidade de sanção presidencial. O apoio popular à medida é elevado: uma pesquisa da Quaest, realizada em maio, revelou que sete em cada dez brasileiros apoiam a redução da jornada de trabalho.

Se aprovada, a PEC reduzirá inicialmente a jornada máxima de trabalho para 42 horas semanais, com promulgação prevista para cerca de dois meses após a aprovação, e, posteriormente, para 40 horas, ao final de um ano. Além disso, a proposta assegura dois dias de descanso remunerado, com preferência pelos domingos, e permite a negociação coletiva para estabelecer diferentes formas de organização da jornada, desde que respeitados os limites constitucionais.

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