O presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), decidiu não participar de debates televisivos no primeiro turno das eleições presidenciais de 2024, optando por adiar qualquer confronto direto com seu principal adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL), para uma eventual fase de segundo turno. Essa estratégia visa evitar exposição excessiva e possíveis desgastes na reta final da campanha, além de preservar sua posição nas pesquisas de intenção de voto.
Na noite desta quinta-feira (1º de outubro), a TV Globo promoveria o último debate presidencial antes do pleito marcado para o próximo domingo (4 de outubro). No entanto, Lula optou por não comparecer ao evento, que seria realizado às 21h30, e, em vez disso, concederá uma entrevista ao Flow Podcast no mesmo horário. Outros quatro candidatos confirmaram presença na ocasião: Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo). A ausência de Lula neste debate representa uma continuidade de sua estratégia de evitar confrontos diretos nesta fase inicial da campanha, uma postura que já vinha sendo adotada ao longo de toda a disputa.
Durante a campanha, Lula tem evitado participar de debates tradicionais, principalmente diante do receio de ser alvo de ataques de seus concorrentes, sobretudo de candidatos do espectro da direita. Essa postura tem sido motivo de discussão interna no núcleo próximo ao candidato, pois há divergências sobre a necessidade ou não de uma presença mais ativa nesses fóruns. Ainda assim, prevaleceu a avaliação de que Lula ficaria muito exposto a ataques, com pouco tempo para apresentar suas propostas de governo, o que poderia prejudicar sua imagem perante o eleitorado.
Apesar de sua ausência nesta etapa, não se descarta a possibilidade de Lula participar de debates com Flávio Bolsonaro na fase de segundo turno, caso a disputa evolua para essa etapa. O coordenador da campanha do petista, Edinho Silva (PT-SP), afirmou em entrevista à TMC que Lula deseja confrontar suas propostas com as do adversário, mas condiciona sua participação às regras dos debates, que permitam um confronto direto e equilibrado. Segundo ele, o presidente quer discutir de forma clara e aberta as diferenças de projeto entre ambos, o que, na visão de sua equipe, só será possível na fase de segundo turno.
A decisão de Lula de não participar do debate também foi influenciada por uma leve melhora em seus índices de intenção de voto, registrada nos últimos levantamentos. Pesquisas divulgadas no início da semana, incluindo informações do Metrópoles, mostraram uma recuperação do petista após uma polêmica envolvendo a imagem de Nossa Senhora Aparecida, que havia afetado o desempenho de Flávio Bolsonaro. Com essa recuperação, Lula busca evitar desgastes adicionais nos dias finais de campanha, mantendo sua vantagem e consolidando sua base de apoio.
Para compensar a ausência nos debates tradicionais, Lula tem investido em participações em sabatinas e podcasts, estratégias que permitem maior controle sobre o conteúdo e o formato das entrevistas. Na quarta-feira (30 de setembro), ele foi entrevistado por um grupo de influenciadores progressistas, e nesta quinta-feira, será ouvido pelo Flow Podcast, numa tentativa de alcançar públicos diferentes e ampliar sua presença na mídia digital. Essas ações já demonstraram efeito positivo em campanhas anteriores, como na eleição de 2022, quando uma entrevista ao canal de um youtuber atingiu mais de um milhão de espectadores simultâneos, superando a audiência de entrevistas concedidas por Jair Bolsonaro na mesma época. Assim, Lula busca manter sua visibilidade e diálogo com diferentes segmentos do eleitorado, mesmo sem participar de debates tradicionais nesta fase da campanha.


