Nesta terça-feira, o dólar apresentou uma leve queda de 0,11% em relação ao real, cotado a R$ 5,10, indicando estabilidade no mercado cambial. Em contrapartida, o índice Ibovespa, principal indicador da Bolsa de Valores brasileira (B3), fechou em alta de 0,44%, atingindo 187.4 mil pontos. A movimentação nos mercados de câmbio e ações foi influenciada por declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, relacionadas à tensão com o Irã, que ocorreram na tarde de hoje.
Durante sua fala, Trump informou que autoridades americanas tiveram uma reunião de aproximadamente três horas com uma delegação iraniana à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. Segundo o presidente norte-americano, o encontro foi considerado “muito produtivo”, o que reacendeu as expectativas de um possível acordo entre os dois países, após semanas de escalada de tensões na região. Essa declaração contribuiu para uma reversão na tendência de alta do dólar e na queda do petróleo, refletindo um cenário de maior otimismo no mercado internacional.
Paralelamente, uma fonte de Teerã afirmou que o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de circulação de petróleo no mundo, pode ser reaberto em até sete dias. A condição para tal reabertura seria uma redução da pressão militar por parte dos Estados Unidos e a suspensão do bloqueio de portos iranianos, medidas que ainda dependem de negociações em andamento. Além disso, notícias indicaram que a Arábia Saudita retomou parcialmente a operação do oleoduto Leste-Oeste, uma importante via de escoamento de petróleo que serve como alternativa ao Estreito de Ormuz, reforçando a expectativa de maior estabilidade na oferta de petróleo na região.
Como consequência dessas informações, os preços do petróleo recuaram pelo quinto pregão consecutivo. Os contratos futuros do Brent, referência internacional, fecharam em baixa de 1,09%, cotados a US$ 99,25 por barril. Já o petróleo tipo West Texas Intermediate (WTI), que serve de referência para o mercado dos Estados Unidos, caiu 1,24%, cotado a US$ 94,59 por barril. Essa redução nos preços do petróleo também impactou os mercados globais, contribuindo para a diminuição do prêmio de risco e influenciando a movimentação do câmbio no Brasil.
No cenário externo, o índice DXY, que mede a força do dólar frente a uma cesta de seis moedas de economias desenvolvidas — incluindo euro, iene e libra esterlina —, registrou uma pequena alta de 0,09%, atingindo 100,51 pontos às 16h20. Internamente, os investidores acompanharam a divulgação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, realizada em 16 de setembro. Na ocasião, o colegiado decidiu reduzir a taxa básica de juros, a Selic, em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano. A ata não trouxe novidades relevantes, mantendo o tom de continuidade da estratégia de cortes graduais na política monetária, conforme avaliação de analistas.
Especialistas destacam que a manhã foi marcada por pressões negativas no Ibovespa, influenciadas pelo cenário interno e pela expectativa de estabilidade na política econômica. No entanto, após as declarações de Trump, houve uma reversão na tendência de baixa, reforçando a influência do cenário geopolítico nas decisões do mercado financeiro. Além disso, os juros futuros também operaram em queda, embora com perda de força ao longo do dia, refletindo a percepção de desaceleração econômica no Brasil, conforme apontado na ata do Copom, e a melhora nas condições externas, como a queda nos preços do petróleo e nos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos.
De modo geral, o mercado brasileiro acompanhou de perto os desdobramentos internacionais, que contribuíram para uma redução no prêmio de risco doméstico e uma maior estabilidade nas operações financeiras, mesmo diante de um cenário de incerteza global e tensões na região do Oriente Médio.


