Imagens registradas em vídeo mostram o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, e sua esposa, a advogada Viviane Barci, desembarcando no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, após um voo realizado em um jatinho privado. O avião, um modelo Legacy 650 de prefixo PP-NLR, estaria registrado em nome de uma das empresas do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master. A divulgação das imagens ocorreu neste domingo, pelo jornal O Globo, e traz à tona questionamentos sobre a origem do deslocamento do ministro, especialmente considerando o contexto de investigações em andamento.
No mês de abril, Moraes emitiu uma nota oficial por meio de seu gabinete, na qual afirmou categoricamente que “jamais viajou em nenhum avião de Daniel Vorcaro ou em sua companhia e de Fabiano Zettel, a quem nem conhece”. Essa declaração buscava refutar alegações de possível envolvimento com os negócios do banqueiro, especialmente após a revelação do uso do jatinho em questão. Contudo, as imagens e investigações conduzidas pela Polícia Federal contradizem essa versão oficial. Os registros audiovisuais, capturados no dia 22 de agosto de 2025, mostram claramente o desembarque do ministro e de sua esposa na capital fluminense, após um voo que, segundo apurações, teria ligação direta com interesses financeiros do banqueiro Vorcaro.
A aeronave utilizada na viagem foi identificada como um Legacy 650, de propriedade de uma das empresas de Vorcaro, reforçando as suspeitas de ligação entre o deslocamento e interesses comerciais do banqueiro. A operação aérea ocorreu aproximadamente três meses após o escritório de advocacia de Viviane Barci firmar um contrato de R$ 50 milhões com uma empresa vinculada a Vorcaro. Essa contratação, segundo apurações da Polícia Federal, complementava um contrato anterior de R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master — controlado pelo banqueiro — e o banco público BRB, do qual Moraes é ministro. O contrato adicional, de acordo com as investigações, previa o pagamento de honorários advocatícios por meio de cotas de uso de aeronaves, incluindo um jato e um helicóptero, como parte de um esquema de remuneração.
Os investigadores também apontam que o voo ocorreu em um momento delicado para os interesses de Vorcaro. Apenas um mês antes da viagem, o Banco Central havia enviado um alerta formal ao Ministério Público Federal (MPF), indicando indícios de gestão fraudulenta envolvendo operações financeiras entre o BRB e o Banco Master. Esses fatos aumentam a complexidade do caso, pois envolvem possíveis conflitos de interesse e irregularidades na relação entre o ministro e as atividades financeiras do banqueiro.
Tanto Alexandre de Moraes quanto a defesa do escritório de sua esposa negam qualquer irregularidade relacionada ao caso. As partes afirmam que o contrato de R$ 50 milhões mencionado nas investigações nunca chegou a existir ou foi assinado formalmente. No entanto, mensagens obtidas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro indicam a utilização de aeronaves por parte do casal. Em uma troca de mensagens de 16 de julho de 2025, o empresário questionou Marcos Matta, gestor da empresa PrimeYou, se o casal estaria utilizando aviões e helicópteros, ao que recebeu a confirmação de que tais serviços estavam em uso e já haviam sido autorizados.
Essas evidências reforçam as suspeitas de que o deslocamento do ministro pode estar relacionado a interesses financeiros ligados ao banqueiro Vorcaro, levantando questionamentos sobre a transparência e os possíveis conflitos de interesse envolvendo figuras de alta relevância no cenário político e financeiro nacional. As investigações continuam em andamento, buscando esclarecer a extensão das relações entre Moraes, Vorcaro e os negócios envolvidos.


