Uma paciente que enfrentava uma doença renal hereditária conseguiu realizar um transplante de rim após anos de espera, reforçando a importância da doação de órgãos. Adriana Teles, de 49 anos, gestora hospitalar, recebeu o órgão após ser diagnosticada com a mesma condição que levou sua mãe à morte, enquanto aguardava por um doação compatível. A história evidencia o impacto do gesto solidário e a relevância da campanha Setembro Verde, que incentiva a doação de órgãos.
A descoberta da doença ocorreu aos 41 anos, durante exames de rotina exigidos para um processo de mudança para o Canadá. Sem apresentar sintomas, Adriana foi surpreendida ao saber que seus rins já apresentavam comprometimento avançado. O diagnóstico revelou a presença de glomeruloesclerose segmentar e focal (GESF), uma condição que afeta os pequenos filtros dos rins, chamados glomérulos, responsáveis por filtrar o sangue. Segundo o nefrologista Edison Souza, professor associado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UFRJ), essa doença pode evoluir de forma silenciosa, dificultando seu diagnóstico precoce.
A GESF possui uma origem genética, como foi o caso de Adriana, cuja doença foi herdada de sua mãe, que também foi afetada pela mesma condição. Com o avanço da enfermidade, a paciente iniciou tratamento de hemodiálise, procedimento que substitui a função renal enquanto aguarda por um transplante. Durante aproximadamente 10 meses, ela passou por sessões semanais, que passaram a fazer parte de sua rotina diária. Adriana relata que a hemodiálise exige uma adaptação física e emocional, sendo uma etapa necessária para manter a vida enquanto aguarda a doação de um órgão compatível.
A espera por um rim compatível durou cerca de três meses, período no qual a esperança de receber um órgão aumentou com a confirmação de um doação proveniente de uma família do Rio Grande do Sul. A doação foi autorizada após a decisão de uma família que, mesmo enfrentando sua própria dor, optou por salvar vidas. A doação de órgãos é uma ação que pode transformar vidas e que depende de decisões conscientes e solidárias de famílias em momentos difíceis.
O transplante de rim é indicado quando os rins deixam de desempenhar suas funções de forma eficiente, sendo a alternativa mais eficaz para melhorar a qualidade de vida do paciente. De acordo com Sílvia Casas, diretora médica de transplantes da Werfen na América Latina, essa intervenção oferece maior expectativa de vida e melhores condições de saúde em comparação à diálise prolongada. Após o procedimento, realizado em 2019, Adriana passou a retomar suas atividades habituais, como trabalhar, estudar e praticar exercícios físicos, sempre sob acompanhamento médico contínuo e uso de medicação específica.
Desde o transplante, Adriana tem se dedicado à conscientização sobre a doação de órgãos, uma forma de agradecer a oportunidade de viver e de ajudar outras pessoas. Sua experiência pessoal reforça a importância de campanhas como o Setembro Verde, que busca ampliar o entendimento e a solidariedade em relação à doação de órgãos. Para ela, a simples ação de beber água, algo trivial para muitas pessoas, passou a ter um significado especial, especialmente para quem viveu a experiência de uma doença renal silenciosa e de uma longa espera por um órgão compatível. Sua trajetória evidencia o impacto positivo do gesto de doação e a esperança de que mais vidas possam ser transformadas por essa atitude.


